sábado, 14 de julho de 2012

A greve e a mobilização dos professores na Bahia


Por Ronaldo Ferraz

O que o governo teme são as duas leis - a lei 12.364/11, que congela o salário dos professores até 2014, e a lei 12.578/12, sobre a questão dos subsídios. Sobretudo, a primeira, por que, afinal, já sinalizou que tem dinheiro para pagar o aumento. Quem paga 14% num intervalo de meses pode pagar 15,7 % ainda esse ano (se somarmos os 6,5 % de antes teremos os 22,22%).O ano que vem seria uma grande e boa briga para a categoria lutar pela concretização do piso de 2013. Mas se a lei 12.364 não for revogada não teremos o respaldo para comprar uma nova briga. Nem acho que a categoria esteja disposta novamente a comprar uma outra contenda.
Estaremos ainda a curar cicatrizes. A greve tem que gerar uma discussão sobre o processo de mobilização dos professores na Bahia.Vejo o fracasso do modelo de sindicato único.As cidades que se mobilizaram, reagiram num processo de organização da base. Com suas instâncias de discussão/deliberação. Percebe-se a ausência de uma Aplb completamente desacreditada. Veja-se a experiência de Vitória da Conquista. O Lute sindicato parece aglutinar um grupo de professores interessados em discutir educação. (algo que a muito tempo não se faz na Bahia). Assim se espera. Falamos em um Fórum de discussão, deliberado em assembléia, com representação por escola. Experiência que, se vingar, será de grande riqueza. O que esperamos é que os professores também se empolguem em discutir para além das questões salariais. Nossas demandas são muitas: jornada de trabalho, quantidade de horas/aula, licenças prêmios, pedagógos nas escolas, salas de informática que realmente funcionem, escolas que sejam mais autômas no fazer pedagógico, formação séria para o professor, e não esses cursos a distância para cumprir carga horária, esporte na escola, que os professores sejam mais reflexivos em suas presenças nas escolas (não apenas esse ser frequentador de sala de aula e reprodutor de conteúdos vazios. 

As nossas universidades estaduais calam-se no debate. Ou será que educação já não é discutido nas universidade a muito tempo? Ainda assimilamos muito de seus vícios. O nosso fazer em educação é um reflexo direto de nossa formação acadêmica.

Enfim, nessa história toda, entre mortos e feridos, acabaremos (enquanto categoria) aceitando uma negociação de reajuste, mas abrindo mão da lei pelo desconhecimento de todo esse processo. Nesse sentido, seria até interessante aceitar 14% , mas não abrir mão da lei 12.364/11. O governo parece ter força sobre sua base aliada, e os deputados são uns serviçais, para revogar a lei . Afinal, não foi o que o professor Zé Raimundo falou ao dizer que votou contra os professores porque seguiu sua base política. Ou seja, faço o que mandar.