Nilo aguarda decisão da Justiça
Liminar de desocupação sai nesta quarta (18

PATRÍCIA COSTA |DO BAHIA TODO DIA | 17/07/2012 | 20H47
O clima continua tenso na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). De um lado, os professores da rede pública do estado - que continuam acampados nesta terça (17), no saguão deputado Nestor Duarte - denunciam que estão sendo alvo de uma “prática perversa” por parte do presidente da Casa, Marcelo Nilo. “Cortaram a água, a luz, desligaram o ar-condicionado e interditaram os banheiros colocando policiais para impedir o nosso acesso”.
Por outro, o presidente que não vê a hora do prédio ser desocupado e voltar o funcionamento pleno da Casa. Para isso, o deputado Marcelo Nilo fez o pedido de reintegração de posse ao Poder Judiciário. A previsão, segundo ele, é que a liminar que determina a saída do movimento grevista nas dependências do Legislativo seja entregue até o meio-dia desta quarta (18).
“São 96 dias os professores acampados no Poder Legislativo. A Casa não é acampamento de grevistas, não é sindicato. É a Casa das leis”, ressalta o presidente acrescentando que “eu tive a maior paciência do mundo, mas aguardamos 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 dias, mas eles (os professores) não saíram. Então pedimos ao Judiciário o pedido de reintegração de posse e a liminar sairá amanhã”, avisa.
Quanto aos cortes, Nilo considera que os grevistas ultrapassaram todos os limites do bom senso e não poderia mais ser tolerado. “Os manifestantes contavam com toda estrutura da Casa, mas não temos como custear aparelhos de ar-condicionado funcionando de forma ininterrupta há mais de 90 dias. Já quebraram sanitários, vidros. O movimento que era por questões salariais passou a ser um movimento partidário”, afirma. Questionado como será feita a desocupação do saguão, o deputado limitou a dizer que “isso compete ao Judiciário”.
O deputado estadual Capitão Tadeu chama de intransigente a postura do governo e lamenta que nesse embate 1 milhão de estudantes já foram prejudicados. “É uma postura intransigente em que a sociedade exige uma postura pacífica para o retorno às aulas e a solução está nas mãos do governador. O ano letivo já foi perdido, não tem mais como recuperar. É uma geração perdida na Educação da Bahia”.Além de Capitão Tadeu, outros deputados do bloco da oposição, a exemplo de Paulo Azi (DEM) e Sandro Régis (PR) cederam a sala da liderança da minoria para os manifestantes, caso o Judiciário determine a desocupação do saguão Nestor Duarte.
De acordo com o Coordenador Geral da APLB, professor Rui Oliveira,“é um absurdo dizer que a gente invadiu a Assembleia Legislativa. Nós ocupamos com a anuência do presidente da Casa, mas a declaração foi desmentida por Marcelo Nilo.
Nesta quarta (18), os professores realizam uma nova assembleia no local para decidir o rumo da greve. Ainda segundo Rui Oliveira, eles estão preparando um documento, onde será apresentado uma contraproposta ao Minsitério Público. "Vamos esperar a negociação e a greve continua", afirma.