sexta-feira, 6 de julho de 2012


Grevistas impõem condições para volta 

Professor processado alega perseguição política

EDSON MIRANDA|DO BAHIA TODO DIA | 03/07/2012 | 19H27

A assembleia dos professores realizada nesta terça (3) aprovou a continuidade da greve, que já dura 84 dias, e também colocou novas condições para o retorno ao trabalho: readmissão dos 58 professores contratados via REDA e que foram demitidos recentemente, durante a retomada dos “aulões” para estudantes do terceiro ano, e a retirada dos processos administrativos contra professores grevistas que estão em estágio probatório.

Entre os professores em estágio probatório e que estão respondendo a processo administrativo encontra-se o professor João Guerra. O Bahia Todo Dia falou depois da assembleia de hoje com João Guerra. Ele alega que seu processo é político, devido à sua filiação ao partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Guerra disse que ficou surpreso ao ver seu nome e de outro professor do PSOL no Diário Oficial do Estado (DOE), arrolados em processo administrativo, no dia posterior à manifestação que alunos e professores fizeram na porta do Colégio Thales de Azevedo, localizado no Costa Azul, onde se realizam “aulões” para o terceiro ano, com o objetivo de conscientizar os estudantes sobre a proposta do governo estadual.

O professor disse também para o BTD que após a distribuição de panfletos na porta do Thales de Azevedo, os manifestantes fizeram uma passeata pacífica pela Orla. Na ocasião, em comum acordo com a Polícia Militar, alega Guerra, foi fechada a pista por 10 minutos.

Segundo João Guerra, policiais à paisana, “infiltrados na passeata”, recolheram os nomes dos professores e entregaram para a Secretaria de Educação e que, no dia seguinte, ele e o outro companheiro do PSOL estavam processados e com os nomes no DO E.

“Trata-se claramente de perseguição política, pois os dois professores processados são do PSOL e havia professores de outros partidos na manifestação e que não tiveram seus nomes arrolados no processo”, afirma João Guerra.

Filho de ex-sindicalista
João Guerra é filho do professor Sérgio Guerra. Uma das maiores lideranças baianas no setor da Educação. Sérgio Guerra combateu a Ditadura de 1964 e foi um dos responsáveis pela retomada dos sindicatos das mãos da pelegada, durante a redemocratização. Ajudou a criar a  CUT e vários outros sindicatos de educadores por todo o Brasil, foi dirigente do Sindicato Nacional dos Professores das Universidades (ANDES), foi dirigente do Sindicato Estadual dos Professores da Rede Particular da Bahia (SINPRO) e, atualmente, é vice-presidente do Conselho Estadual de Educação.