segunda-feira, 14 de novembro de 2011
BLOG DO CIENB: 10 PRINCÍPIOS PARA VOTAR EM UM DIRETOR
BLOG DO CIENB: 10 PRINCÍPIOS PARA VOTAR EM UM DIRETOR: Dia 21 de novembro é dia de eleição na Escola Pública 10 principios são importantes para escolher um diretor: Avalie e caso contrário di...
domingo, 23 de outubro de 2011
PiG e elite não destruíram o ENEM.
Saiu no Blog do Planalto:
Enem 2011 tem 5,3 milhões de inscritos; provas serão realizadas neste fim de semana
Mais de 5,3 milhões de estudantes brasileiros farão, neste fim de semana, as provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, em 1,6 mil cidades do país. Com número recorde de inscritos e de municípios participantes, as provas serão realizadas em 150 mil salas de aula, que serão monitoradas em tempo real.
No primeiro dia, serão aplicadas as provas de ciências humanas e ciências da natureza. O candidato terá 4h30 para concluí-las. No segundo dia, o exame abrangerá linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática, com tempo de 5h30 para conclusão.
As provas serão aplicadas, tanto no sábado quanto no domingo, às 13 horas, no horário de Brasília. A abertura dos portões ocorrerá às 12 horas e o fechamento, às 13h. O Ministério da Educação recomenda a todos os participantes que cheguem ao local de realização das provas até 12 horas.
Acesso a universidades – Em 2010, 83 mil estudantes ingressaram no ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificado (SISU), que substituiu o vestibular pelo Enem. Até o último processo seletivo, 83 instituições de ensino haviam aderido ao Sistema; neste ano, a expectativa do MEC é que o número de instituições e de vagas seja maior.
Os estudantes que optam pelo Enem têm ainda a chance de ingressar no Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudos integrais e parciais a cursos de graduação e sequenciais de formação específica em universidades privadas. Desde o início do programa, em 2005, até o segundo semestre de 2011, já foram concedidas pelo ProUni 919 mil bolsas de estudo. Para concorrer às bolsas, o aluno deve ter alcançado no mínimo 400 pontos na média das cinco notas (ciências da natureza; ciências humanas; linguagens, matemática e redação).
Bolsas no exterior – O Enem também será um dos pré-requisitos para o programa Ciência sem Fronteiras, lançado em julho pela presidenta Dilma Rousseff. Para concorrer a uma das 75 mil bolsas de estudo em universidades no exterior até 2014, o aluno deve ter nota mínima de 600 pontos no exame. As áreas prioritárias serão engenharias, tecnologia da informação e ciências exatas e biológicas.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
REDE ESTADUAL REALIZA MANIFESTAÇÕES NA PARALISAÇÃO DESTA TERÇA-FEIRA. 13 DE SETEMBRO
Fotos: Eduardo Silva - Praça da Piedade - 13/09/2011
APLB-Sindicato na luta em defesa da Educação e dos Serviços Públicos
A Rede Estadual, na capital e no interior, e a Rede Municipal de Salvador paralisaram as aulas em 13 de setembro
A manifestação na Praça da Piedade, convocada pela APLB-Sindicato, foi antes de tudo uma demonstração de força dos trabalhadores em educação no Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação e dos Serviços Públicos, em 13 de setembro.
Além de falar da falta de respeito com que estão sendo tratados os serviços públicos e os servidores, o sindicato debateu assuntos como URV e Piso Salarial Profissional Nacional.
“Estamos cumprindo a nossa AGENDA DE LUTA, que começou na quarta-feira, 7 de setembro, com a participação da entidade no GRITO DOS EXCLUÍDOS durante o desfile da Independência do Brasil, contra o desmonte dos serviços públicos”, enfatiza o coordenador-geral da APLB-Sindicato, professor Rui Oliveira.
No dia 13 – Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação e dos Serviços Públicos – houve paralisação da Rede Estadual da Bahia (capital e interior) e da Rede Municipal de Salvador, e a manifestação na Praça da Piedade contou com a participação do Sindipoc, da Aspol e do Sindimed.
E a AGENDA DE LUTA prossegue ainda em setembro e outubro.
Setembro
Dia 16 – Debate Nacional nas escolas sobre o Plano Nacional de Educação (PNE). Principal reivindicação: aumentar o PIB para a Educação dos atuais 5% para 10%
Dias 20, 21 e 22 – Seminário sobre a saúde do trabalhador, na Fundacentro, às 9 horas
Dia 26 – Lançamento do Fórum em Defesa dos Serviços Públicos e do Servidor – local e horário a confirmar
Outubro
Dia 5 – Dia Estadual de Luta pelo Pagamento da URV
Paralisação da Rede Estadual na capital e no interior
Dia 15 – Posse da Diretoria da APLB-Sindicato
Dia 25 - Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação e dos Públicos
Paralisação da Rede Estadual da Bahia (capital e interior) e da Rede Municipal de Salvador
Manifestação na Praça da Piedade, a partir de 9 horas, com participação do Sindipoc, da Aspol e do Sindimed
Dia 26 – Marcha da CNTE, em Brasília, pelo aumento do PIB para a Educação dos atuais 5% para 10% e Paralisação Nacional
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Regime Militar no Brasil

Os Atos Institucionais desmantelaram as liberdades democráticas no interior do país.
Mediante uma simples explicação, podemos identificar os Atos Institucionais como decretos que eram validados sem que para isso houvesse a aprovação de um órgão legislativo. Ou seja, o presidente determinava a validação de uma lei que não era discutida por deputados e senadores que pudessem vetá-la ou reformá-la. Sob tal aspecto, os AI’s eram a mais concreta confirmação de que o Poder Executivo central alargava suas capacidades.
Por outro lado, podemos ver que o regime militar tomou feições ditatoriais ao desrespeitar os princípios da Constituição de 1946. Já no governo de João Goulart, observamos que os militares denegriram o valor jurídico da lei magna ao impor a instalação do parlamentarismo, em 1961. Três anos mais tarde, com a deflagração do golpe, novas ações foram progressivamente invalidando as bases democráticas e liberais da carta. Ao todo, o novo regime determinou a imposição de cinco Atos Institucionais.
Entre outras ações importantes, os Atos Institucionais colocaram todos os partidos políticos do país na ilegalidade e reconheceu a existência de apenas dois partidos novos: o MDB e o ARENA. Além disso, esses atos exigiram que os governadores e prefeitos de algumas cidades fossem eleitos de forma indireta e convocou o Congresso Nacional para a aprovação de outra constituição. Em 1968, o mais duro golpe de repressão e censura foi ativado com a oficialização do AI-5.
Ao longo dessa seção, podemos ver de que forma cada um dos Atos Institucionais agiu na vida política nacional. Em uma observação mais atenta, é possível reconhecer o modo que os instrumentos de repressão foram sendo arquitetados, os limites que procuravam conservar e quais preocupações cada um dos mesmos respondia. Conforme já frisado, devemos assim notar que a ditadura ganhou campo por meio de um processo marcado por diferentes ações.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola
sábado, 10 de setembro de 2011
Escolas de ensino médio tiraram nota 511,21 em 2010; para MEC resultado era "esperado"
10/09/2011 - 18h00
Em São Paulo
O MEC (Ministério da Educação) divulgou na tarde deste sábado (10) a "nota" das escolas de ensino médio: 511, 21 - a escala chega a 1.000. Essa é a média brasileira, obtida por meio das notas dos alunos que participaram do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010. No ano passado, a média foi de 501,58. A meta para 2028 é chegar a 600 pontos, numa projeção feita pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).
A taxa média de participação no exame foi de 56%, segundo o MEC -- o que significa que a média geral não representa a qualidade dessa etapa de ensino. O indicador mais adequado para isso é o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) -- em que o ensino médio ficou com 3,6 numa escala que vai de 0 a 10.
A nota do Enem por escola é bastante utilizada como parâmetro de escolha da instituição de ensino (veja aqui como usar a nota para essa finalidade).
"Essa evolução de 10 pontos no desvio padrão esperávamos em mais de um ano", afirmou Fernando Haddad, ministro da Educação, ao explicar o que significa o resultado deste ano em relação ao ano passado. "O Brasil é o unico país do mundo que trabalha com meta de qualidade, até onde eu conheço."
Os dados do Enem por escola serão divulgados na próxima segunda-feira -- depois de um atraso de uma semana. As notas estarão disponíveis no UOL a partir das 3h da manhã -- no Inep, a previsão é de que o sistema comece a rodar a partir das 6h. As escolas terão 30 dias para eventuais contestações das notas.
Para Haddad, "o vestibular desorganiza o trabalho da escola" porque cada instituição tem uma avaliação -- e muitas vezes cobra muitos assuntos diferentes. "Os vestibulares, como foram constituídos no país, desorganizam [o ensino médio com a] sobreposição de conteúdos que ninguém consegue cumprir em três anos; aí você dispersa energia", disse o ministro.
Por causa da nova metodologia implantada no Enem, a TRI (Teoria de Resposta ao Item), os resultados do Enem pode ser comparados ano a ano -- para se saber se houve melhora ou piora no desempenhos dos alunos. Antes da TRI, os dados só podiam ser analisados em relação a eles mesmos. Segundo a presidente do Inep, Malvina Tuttman, "agora o Inep pode definir uma série de linhas de pesquisas [e aprofundar estudos sobre as condições e problemas do ensino médio]".
Escolas de ensino médio tiraram nota 511,21 em 2010; para MEC resultado era "esperado"
Karina YamamotoEm São Paulo
A taxa média de participação no exame foi de 56%, segundo o MEC -- o que significa que a média geral não representa a qualidade dessa etapa de ensino. O indicador mais adequado para isso é o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) -- em que o ensino médio ficou com 3,6 numa escala que vai de 0 a 10.
A nota do Enem por escola é bastante utilizada como parâmetro de escolha da instituição de ensino (veja aqui como usar a nota para essa finalidade).
"Essa evolução de 10 pontos no desvio padrão esperávamos em mais de um ano", afirmou Fernando Haddad, ministro da Educação, ao explicar o que significa o resultado deste ano em relação ao ano passado. "O Brasil é o unico país do mundo que trabalha com meta de qualidade, até onde eu conheço."
Os dados do Enem por escola serão divulgados na próxima segunda-feira -- depois de um atraso de uma semana. As notas estarão disponíveis no UOL a partir das 3h da manhã -- no Inep, a previsão é de que o sistema comece a rodar a partir das 6h. As escolas terão 30 dias para eventuais contestações das notas.
Enem organiza, vestibular desorganiza
"Estamos muito confiantes de que o Enem represente para o ensino médio aquilo que a Prova Brasil vem representando para o [ensino] fundamental, ou seja, um instrumento que auxilia a organização racional do currículo e orienta o trabalho dos professores em sala de aula", afirmou o ministro da Educação.Para Haddad, "o vestibular desorganiza o trabalho da escola" porque cada instituição tem uma avaliação -- e muitas vezes cobra muitos assuntos diferentes. "Os vestibulares, como foram constituídos no país, desorganizam [o ensino médio com a] sobreposição de conteúdos que ninguém consegue cumprir em três anos; aí você dispersa energia", disse o ministro.
Por causa da nova metodologia implantada no Enem, a TRI (Teoria de Resposta ao Item), os resultados do Enem pode ser comparados ano a ano -- para se saber se houve melhora ou piora no desempenhos dos alunos. Antes da TRI, os dados só podiam ser analisados em relação a eles mesmos. Segundo a presidente do Inep, Malvina Tuttman, "agora o Inep pode definir uma série de linhas de pesquisas [e aprofundar estudos sobre as condições e problemas do ensino médio]".
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
REDE ESTADUAL DE ENSINO - PARALISAÇÃO NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA
Fotos: Eduardo Silva - Grito dos Excluídos - 07/09/2011
AGENDA DE LUTA
Setembro
A agenda tirada pela APLB-Sindicato começa na quarta-feira, 7 de setembro, com a participação da entidade no GRITO DOS EXCLUÍDOS durante o desfile da Independência do Brasil, contra o desmonte dos serviços públicos.
Dia 8 – participação na plenária promovida pela Fetrab, quinta-feira, 8 de setembro, às 8 horas
Dia 13 – Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação e dos Públicos
Paralisação da Rede Estadual da Bahia (capital e interior) e da Rede Municipal de Salvador
Manifestação na Praça da Piedade, a partir de 9 horas, com participação do Sindipoc, da Aspol e do Sindimed
Dia 16 – Debate Nacional nas escolas sobre o Plano Nacional de Educação (PNE). Principal reivindicação: aumentar o PIB para a Educação dos atuais 5% para 10%
Dias 20, 21 e 22 – Seminário sobre a saúde do trabalhador, na Fundacentro, às 9 horas
Dia 26 – Lançamento do Fórum em Defesa dos Serviços Públicos e do Servidor – local e horário a confirmar
Outubro
Dia 5 – Dia Estadual de Luta pelo Pagamento da URV
Paralisação da Rede Estadual na capital e no interior
Dia 15 – Posse da Diretoria da APLB-Sindicato
Dia 25 - Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação e dos Públicos
Paralisação da Rede Estadual da Bahia (capital e interior) e da Rede Municipal de Salvador
Manifestação na Praça da Piedade, a partir de 9 horas, com participação do Sindipoc, da Aspol e do Sindimed
Paralisação Nacional
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Projeto que modifica regras do Planserv é aprovado sob vaias. Paralisação da Rede Estadual em 13 de setembro
Fotos: Manoel Porto - em 31 de agosto de 2011
Os trabalhadores em educação, discordando da aprovação do projeto do governo, paralisam os trabalhos no dia 13 de setembro.
Após horas de intensos discursos, e no final desta quarta-feira (31), exatamente às 23h52, os deputados estaduais baianos aprovaram o projeto que modifica as regras de utilização do Planserv.
Após a recomendação do líder da maioria, deputado Zé Neto (PT) para que sua bancada votasse a favor da aprovação, foi iniciada a votação que terminou com 39 votos aprovando o projeto que teve 20 votos contrários.
O deputado Targino Machado (PSC) representando o bloco PSC/PTN e o deputado Reinaldo Braga (PR) recomendaram que suas bancadas votassem contrariando a mensagem do Executivo Estadual.
O presidente Marcelo Nilo (PDT) informou que o deputado Aderbal Caldas (PP) foi acometido de problemas de saúde, e não pode estar presente à votação. Além dele, o deputado Rogério Andrade e Gildásio Penedo (DEM) não marcaram suas presenças no momento da votação.
Após 9 horas de debate a muita confusão, os deputados estaduais baianos aprovaram, às 23h55 desta quarta-feira (31), o Projeto de Lei 19.394/2011, que institui mudanças no Planserv (plano de saúde dos servidores estaduais), entre elas a polêmica criação do “fator moderador” no número de consultas, exames e emergências de cada beneficiário. O resultado da votação registrou 39 votos favoráveis e 20 contrários à proposta. Os parlamentares Gildásio Penedo e Rogério Andrade (ambos do DEM, mas que estão de malas prontas para o PSD), faltaram à apreciação da matéria e terão seus pontos cortados do salário. Conforme o texto acatado pelos parlamentares, o número de consultas foi limitado a doze por ano; o de exames a 30; e a restrição a consultas de urgência e emergência a dez (todos os procedimentos adotados durante as emergências não entram na cota). A proposta prevê que, no mês em que o servidor extrapolar a cota, começará a pagar contribuições por cada procedimento adicional realizado (R$ 10 por exame, R$ 7 por emergência e R$ 6 por consulta). Esta cobrança, entretanto, será limitada a R$ 30 por mês por categoria – após extrapolado o limite, se o servidor realizar 5 consultas de emergência, por exemplo, não pagará R$ 50, mas R$30. Excetua-se desta norma os servidores que possuem algum tipo de doença crônica ou está em tratamento. (Por: Rafael Rodrigues)
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Marcha das Margaridas terá debates, oficinas e atividades culturais
Mobilização das trabalhadoras no campo começa nesta segunda (15), em Brasília
Brasília vai parar para ver, conhecer e escutar as dezenas de milhares de trabalhadoras do campo e da floresta que chegam à capital a partir desta segunda-feira (15). Elas vão compor a Cidade das Margaridas, no Parque da Cidade (ao lado do Pavilhão de Exposições), de onde partem em marcha para a Esplanada dos Ministérios na quarta-feira (17). Antes da marcha em si, uma programação intensa movimenta o Pavilhão do Parque.
No dia 16 (terça-feira), as atividades na Cidade começam às 9h com a inauguração da Mostra Nacional da Produção das Margaridas, onde o público poderá conhecer o artesanato e os produtos da agricultura familiar. Nesse mesmo horário, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aplica questionário inédito às mulheres sobre as condições de vida, saúde e trabalho.
Às 9h30, acontece o lançamento da Campanha contra os Agrotóxicos, seguida por dois painéis de debate sobre o lema da Marcha deste ano: Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade. O primeiro foca em biodiversidade e democratização dos recursos naturais; terra, água e agroecologia; soberania e segurança alimentar e nutricional; autonomia econômica, trabalho e renda. O segundo painel debate saúde pública e direitos reprodutivos; educação não sexista, sexualidade e violência; democracia, poder e participação política.
Simultaneamente, sete oficinas voltadas para as trabalhadoras versam sobre os eixos temáticos da pauta de reivindicações das trabalhadoras. Às 10h, a Câmara dos Deputados sedia sessão solene em homenagem à Marcha. Em seguida, no Hall da Taquigrafia, acontece a abertura da mostra fotográfica “Mulheres do campo e da floresta tecem novo amanhecer”, com ato político de entrega da pauta de reivindicações ao Congresso Nacional, com a presença da atriz Letícia Sabatella, engajada na ONG Humanos Direitos.
A abertura política da Marcha das Margaridas está marcada para as 14h, com a participação do filósofo e teólogo Leonardo Boff já confirmada. No período da tarde, publicações sobre a Lei Maria da Penha e outros temas relativos aos direitos das mulheres oferecem reflexões ao público. Às 17h, o lançamento do CD Canto das Margaridas, cuja primeira faixa é a música que será entoada durante a caminhada de protesto, promete ser um dos momentos de emoção da programação: as Loucas de Pedra Lilás, grupo de Recife que compôs a letra do canto principal, são acompanhadas por coro gigante de todas as mulheres que gravaram o CD.
Durante todo o dia, apresentações de folclore gaúcho, carimbó paraense, côco de roda, rasqueado matogrossense e tambor de crioula alegram Cidade das Margridas. Um dos pontos altos da programação cultural é a homenagem que as violeiras e repentistas paraibanas Maria Soledade e Minervina fazem a Margarida Alves, prevista para as 14h. Às 20h30, a cantora baiana Margareth Menezes se apresenta no palco principal.
Finalmente, na quarta-feira (17), as mulheres saem do Parque da Cidade em direção à Esplanada na primeira hora do dia. Lá chegando, fazem o ato político e esperam encontrar a presidenta Dilma para ouvir as respostas do governo à pauta de reivindicações por mais e melhores políticas públicas para o meio rural.
O que é
É uma ação estratégica das mulheres do campo e da floresta para conquistar visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena.
A Marcha das Margaridas se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência sexista e sua agenda política de 2011 tem como lema desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade.
Coordenada pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais composto pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura – Contag, por 27 Federações – Fetag’s e mais de 4000 sindicatos, sua realização conta com ampla parceria.
A maior mobilização de mulheres trabalhadoras rurais do campo e da floresta do Brasil tem esse nome, como uma forma de homenagear a trabalhadora rural e líder sindical Margarida Maria Alves.
Margarida Alves é um grande símbolo da luta das mulheres por terra, trabalho, igualdade, justiça e dignidade. Rompeu com padrões tradicionais de gênero ao ocupar por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande, estado da Paraíba. À frente do sindicato fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. A sua trajetória sindical foi marcada pela luta contra a exploração, pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, contra o analfabetismo e pela reforma agrária. Margarida Alves foi brutalmente assassinada pelos usineiros da Paraíba em 12 de agosto de 1983.
Site Contag
domingo, 14 de agosto de 2011
APLB: CHAPA 1 VENCE, PARA OPOSIÇÃO É FRAUDE
O resultado parcial das eleições do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) é divulgado, paliativamente, no site da entidade de classe. No entanto, na noite desta quarta-feira (10), os números já apontam a vitória da Chapa 1, candidata à reeleição. São 29, 7 mil votos dos atuais representantes da categoria contra 4 mil da agremiação de oposição. O presidente do sindicato, Ruy Oliveira, afirma que “a vitória já está consolidada” e que o resultado representa “a vontade da categoria”, mas espera a publicação do saldo final para se declarar, mais uma vez, presidente da APLB. O outro lado, no entanto, continua a assegurar que teria sido vítima de boicote e fraude. O primeiro diretor da sigla adversária, César Carneiro, em entrevista ao Bahia Notícias, reafirmou que problemas ocorreram em todo o estado. “Na verdade, nós ganhamos nos locais onde fiscalizamos e perdemos onde nossos fiscais não puderam ir. A situação de Barreiras (município do oeste baiano) é emblemática. Fiscalizamos uma urna e, nela, ganhamos. Em todas as outras, perdemos. São circunstâncias como essa que põem em cheque a lisura da eleição”, argumentou. Ele aponta como exemplo o município de Ibotirama, também localizado no oeste da Bahia, onde, de 336 votantes, a Chapa 2 não recebeu um voto sequer. “Já estamos com audiência marcada na Justiça pedindo a suspensão das eleições e agora vamos alimentar com documentação. Tínhamos indício de que a eleição ia ser fraudulenta, agora temos provas”, acusou. Carneiro também diz, em manifestação contrária à posição de Oliveira, que em diversos pontos do estado a chapa oposicionista não sabia em que escolas ocorreriam as votações. “Sabíamos de onde sairiam as urnas, mas não sabíamos todos os locais em que elas passariam e nem os seus roteiros”, pontuou.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
PEDAGOGIA CRÍTICO SOCIAL DOS CONTEÚDOS
A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos surge no final dos anos 70 e início dos 80. Difere das duas progressistas anteriores pela ênfase que dá aos conteúdos, confrontando-os com a realidade social, bem como a ênfase às relações interpessoais e ao crescimento que delas resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, em seus processos de construção e organização pessoal da realidade.
Compreende que não basta ter como conteúdo escolar às questões sociais atuais, mas é necessário que o aluno possa se reconhecer nos conteúdos e modelos sociais apresentados para desenvolver a capacidade de processar informações e lidar com os estímulos do ambiente buscando ampliar as experiências e adquirir o aprendizado.
Sendo a escola parte integrante do todo social deve servir aos interesses populares garantindo um bom ensino, preparando o aluno para o mundo, proporcionando-lhe a aquisição dos conteúdos concretos e significativos, fornecendo-lhe instrumental para a sua inserção no contexto social de forma organizada e ativa.
Neste contexto o professor é o mediador, cuja função é orientar, abrir perspectivas numa relação de troca entre o meio e o aluno, a partir dos conteúdos.
Neste contexto o professor é o mediador, cuja função é orientar, abrir perspectivas numa relação de troca entre o meio e o aluno, a partir dos conteúdos.
Os métodos desta tendência buscam favorecer a coerência entre a teoria e a prática, ou seja, a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos. A princípio o professor busca verificar o que o aluno já sabe, pois o conhecimento novo se apóia numa
estrutura cognitiva já existente, ou verificar a estrutura que o aluno ainda não dispõe para que haja uma compreensão tanto do aluno como do professor e, através da disposição de ambos, possa se fazer aprendizagens significativas. A aprendizagem se dá quando o aluno ultrapassa sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.
estrutura cognitiva já existente, ou verificar a estrutura que o aluno ainda não dispõe para que haja uma compreensão tanto do aluno como do professor e, através da disposição de ambos, possa se fazer aprendizagens significativas. A aprendizagem se dá quando o aluno ultrapassa sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
FESTIVAL DE INVERNO DE LENÇÓIS
A belíssima cidade histórica de Lençóis será palco de mais uma edição do Festival de Inverno na Chapada Diamantina. O 13º Festival de Lençóis acontecerá no período de 25 a 28 de agosto e trará importantes nomes da música brasileira. Artistas famosos como Flávio Venturinni, Sandra de Sá e Erasmo Carlos são as atrações principais do evento. Veja abaixo a programação artística.
Além das atrações musicais, o Festival de Lençóis reúne uma série de atividades educativas como oficinas de Dança, Artesanato, dentre outras.
ATRAÇÕES
Quinta-feira 25/08
Philarmônica de Lençóis
Flávio Venturini
Mucambo
Trilheiros
Sexta-feira 26-08
Grupo Chorinho “Labuta”
Vaqueiros Literários
Sandra de Sá
Mametto
Sábado 27/08
Grãos de Luz e Griô
Erasmo Carlos
Magary
Zion
segunda-feira, 18 de julho de 2011
PSICOLOGIA E DESENVOLVIMENTO: UMA ABORDAGEM SÓCIO-INTERACIONISTA NO CONTEXTO ESCOLAR
João Alfredo Carrara


“É a reflexão que nos fará ver a consistência até de nossa própria conceituação, e que, articulada a nossa ação, estará permanentemente transformando o processo social, o processo educativo, em busca de uma significação mais profunda para a vida e para o trabalho” (Terezinha Azeredo Rios, 1977- p.67)
Ao ler Vygostsky, observa-se que o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é, “um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (OLIVEIRA, 1993 – p. 33). É o aprendizado que possibilita o despertar de processos internos de desenvolvimento que, não fosse o contato do indivíduo com certo ambiente cultural, não ocorreriam.
Aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. Inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo – incluindo sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre as pessoas. O desenvolvimento fica impedido de ocorrer na falta de situações propícias ao aprendizado.
O ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é fundamental para o seu desenvolvimento. Haja vista os registros históricos sobre o ‘menino selvagem de Aveyron’, ‘Kasper Hauser’ e o mais famoso de todos – o caso das ‘meninas-lobo da Índia’, não sorriam, andavam como quadrúpedes, uivavam para a lua e sua visão era melhor à noite do que durante o dia. Vê-se, portanto, que sem contato humano não se consegue ser humano de fato; o homem só pode ser homem se viver em sociedade. Vygotsky afirma que “ao mesmo tempo em que o ser humano transforma o seu meio para atender suas necessidades básicas, transforma-se a si mesmo”.
Para ser considerada como possuidora de certa habilidade, a criança tem que demonstrar que pode cumprir a tarefa sem nenhum tipo de ajuda. Vygotsky denomina essa capacidade de realizar tarefas de forma independente de nível de desenvolvimento real (NDR). Refere-se a etapas já alcançadas, como resultado de processos de desenvolvimento já completados.
Chama a atenção para o fato de que para compreender adequadamente o desenvolvimento devemos considerar não apenas o nível real da criança, mas também seu nível de desenvolvimento potencial (NDP) – a capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de colegas mais capazes.
Essa possibilidade de alteração no desempenho de uma pessoa pela interferência de outra é fundamental na teoria de Vygotsky. Não é qualquer indivíduo que pode, a partir da ajuda do outro, realizar qualquer tarefa. A capacidade de se beneficiar de uma colaboração de outra pessoa vai ocorrer num certo nível de desenvolvimento, mas não antes da mediação do educador, seja ele de qual natureza for. Ele atribui importância extrema à interação social no processo de construção das funções psicológicas humanas. O desenvolvimento individual se dá num ambiente social determinado e a relação com o outro, nas diversas esferas e níveis da atividade humana, é essencial para o processo de construção do ser psicológico individual (OLIVEIRA, 1993).
A partir da existência desses dois níveis de desenvolvimento, Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) como “a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes” (VYGOTSKY, 1987 – p. 22).
Pode-se ilustrar essas etapas, estabelecendo-se a relação com o esquema abaixo.
Desenvolvimento em espiral: a criança traz à tona suas potencialidades, a partir de estímulos externos e da motivação.

• O traço contínuo representa aquilo que a criança é capaz de fazer por si só (NDR);
• O tracejado, por sua vez, representa uma determinada tarefa que a criança é capaz de realizar, desde que mediada e estimulada adequadamente (ZDP);
• O zig-zag representa, nesse momento do desenvolvimento, algo que a criança é incapaz de fazê-lo, mesmo com auxílio de outrem.
Após essa ilustração, é importante que se visualize o que acontecerá com essa figura, a partir do momento em que a criança construiu o seu conhecimento, mediado pelo grupo e/ou educador:

Note que, o que anteriormente caracterizou-se por ZDP passa a integrar o NDR, demonstrando que houve aprendizado e que a criança está pronta para avançar mais uma etapa. E, assim, sucessivamente em todas as fases de seu desenvolvimento, em todas as áreas do conhecimento.
É na zona de desenvolvimento proximal que a interferência de outros indivíduos é a mais transformadora. É aí que reside o grande desafio daquele que ensina. “Só se beneficiará do auxílio na tarefa de amarrar sapatos a criança que ainda não aprendeu bem a fazê-lo, mas já desencadeou o processo de desenvolvimento dessa habilidade” (VYGOTSKY et al, 1988 – p. 112).
Se o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, então a escola tem um papel essencial na construção do ser psicológico adulto dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas. Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando, conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas.
O processo de ensino-aprendizado na escola deve ser construído, tomando como ponto de partida o nível de desenvolvimento real da criança e como ponto de chegada os objetivos estabelecidos pela escola, supostamente adequados à faixa etária e ao nível de conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. O percurso a ser seguido estará balizado pelas possibilidades das crianças.
De acordo com Vygotsky “a escola tem o papel de fazer a criança avançar em sua compreensão de mundo a partir de seu desenvolvimento já consolidado e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas”. Por sua vez, “o professor tem o explícito papel de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (REGO, 1999, p. 85) .
O aluno só conseguirá atingir um nível de abstração em Matemática, por exemplo, se anteriormente ele foi estimulado com operações concretas, como o uso do ábaco, do material dourado, dos palitos de sorvete, das pedrinhas, das barrinhas de Cursinaire, entre tantos. Valemo-nos, mais uma vez, das contribuições de Vygotsty (1987 – p. 31) - “o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento” .
Ao ensinar/educar as crianças, o adulto deverá, ainda, utilizar sempre um vocabulário vasto, além de usar nomenclaturas corretas e dar explicações coerentes, que satisfaçam o grau de desenvolvimento delas. Tornando mais claro, se um professor que trabalha com crianças de quatro anos fazer uso contínuo de diminutivos, certamente elas assim o farão; falarão como o modelo apresentado. Mas, em outro exemplo, se alguém disser às crianças que a gripe é causada por um vírus e lhes der uma explicação plausível sobre o que é ‘isso’, elas sairão, no final de cada processo, de cada momento de ensino-aprendizagem, mais bem preparadas, com um vocabulário mais rico e, certamente, não falarão à outra pessoa que a gripe é causada por uns ‘bichinhos’...
Vygotsky enfatiza o papel da intervenção no desenvolvimento, porém o seu objetivo maior é trabalhar com a importância do meio cultural e das relações entre indivíduos na definição de um percurso de desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia diretiva, autoritária. Trabalha com a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe são transmitidos pelo grupo cultural. Imitação, para ele, é uma reconstrução individual daquilo que é observado nos outros.
Ele não toma a atividade imitativa como um processo mecânico, mas sim como uma oportunidade de a criança realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, o que contribuiria para seu desenvolvimento. Ao imitar a escrita de um adulto, a criança está promovendo o amadurecimento de processos de desenvolvimento que a levarão ao aprendizado da escrita. Quando uma criança de três ou quatro anos imita um adulto utilizando-se da garatuja ou dos rabiscos contínuos, na tentativa de se comunicar via escrita, ela está tentando imitar a letra cursiva do adulto/modelo. Isso significa que está sendo, portanto, estimulada pelo meio e, após alcançar o NDP, assim o fará, se bem estimulada. Não se pode esquecer que todo esse mecanismo está intrinsecamente ligado e, ao mesmo tempo, se inter-relacionando com a maturidade do sistema nervoso central. É preciso que tal sistema esteja amadurecido. Segundo alguns autores é por essa razão que a criança deve ser alfabetizada com sete anos.
A interação entre alunos também provoca intervenções no desenvolvimento das crianças. Ao propor uma atividade em grupo, o professor deve ter como objetivos, além dos específicos, a expectativa de que a ajuda mútua, as discussões, os levantamentos de hipóteses, sejam momentos de grande aprendizado.
Se o professor, por exemplo, dá uma tarefa individual aos alunos em sala de aula, a troca de informações e de estratégias entre as crianças não deve ser considerada como procedimento errado, pois pode tornar a tarefa um projeto coletivo extremamente produtivo para cada criança.
Quando um aluno recorre ao professor como fonte de informação para ajudá-lo a resolver algum tipo de problema escolar, não está burlando as regras do aprendizado, mas ao contrário, utilizando-se de recursos legítimos para promover seu próprio desenvolvimento. E uma das melhores formas de o professor ajudá-lo é propondo algo que o faça buscar uma resposta. Por exemplo, se um aluno lhe pergunta se ‘benefício’ escreve-se com c, ç, s ou ss, o professor pode, juntamente com ele, buscar a resposta num dicionário. Ou pode propor um desafio para grupos de crianças, oferecendo-lhes uma lista com palavras para trabalharem e criarem regras ortográficas, fazendo-as defrontar-se com o problema. Outro exemplo disso está na construção de regras ortográficas (m antes de p e b, p.ex.). O professor pode, a partir de um determinado texto que se esteja trabalhando em sala ou uma história que a criança goste, solicitar para que procurem neste escrito todas as palavras que possuem as letras m e n, sugerindo que grife uma de azul e a outra de vermelha. Após este levantamento realizado individualmente, pode-se reunir grupos para discutir quando essas letras aparecem precedidas por consoantes e solicitar que levantem hipóteses, que estabeleçam uma relação entre as palavras escritas com tais letras. O professor, após algum tempo, ouve as exposições dos grupos, anota no quadro as hipóteses e, juntamente com o grupo chega à conclusão: construiu-se a regra – m se usa antes de p e b.
Qualquer modalidade de interação social, quando integrada num contexto realmente voltado para a promoção do aprendizado e do desenvolvimento, poderá ser utilizada, portanto, de forma produtiva na situação escolar. Essa intervenção é feita no sentido de desafiar o sujeito, de questionar suas respostas, para observar como a interferência de outra pessoa afeta seu desempenho e, sobretudo, para observar seus processos psicológicos em transformação e não apenas os resultados de seu desempenho (OLIVEIRA, 1993).
A situação escolar deve estar bastante estruturada e explicitamente comprometida com a promoção de processos de aprendizado e desenvolvimento: neste contexto, entram os brinquedos e os jogos, outros domínios da atividade infantil que têm relações com o desenvolvimento. Eles criam uma zona de desenvolvimento proximal na criança. Daí o grande significado que têm para ela, os jogos simbólicos. Um, dentre tantos exemplos, é a brincadeira do faz-de-conta - privilegiada em sua discussão sobre o papel do brinquedo no desenvolvimento.“O comportamento das crianças é fortemente determinado pelas características das situações concretas em que elas se encontram” (OLIVEIRA, 1993 - 59).
Vygotsky exemplifica a importância das situações concretas e a fusão que a criança pequena faz entre os elementos percebidos e o significado. Numa situação imaginária, entretanto, a criança é levada a agir num mundo imaginário, onde a situação é definida pelo significado estabelecido pela brincadeira e não pelos elementos reais concretamente presentes. Ao brincar com um tijolinho de madeira como se fosse um carrinho, por exemplo, a criança se relaciona com o significado em questão e não com o objeto concreto. O tijolinho serve como uma representação de uma realidade ausente – um jogo simbólico. O brinquedo provê, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados – preparando-a para uma nova etapa de seu desenvolvimento. Portanto, a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, tem nítida função pedagógica e psicológica (catalisação de conflitos, por exemplo).
Outra função extremamente importante da escola é a de criar espaços/condições para promover a leitura e a escrita. Vygotsky tem uma abordagem genética da escrita: preocupa-se com o processo de aquisição. Para compreender o desenvolvimento da escrita é necessário estudar o que ele chama de “a pré-história da linguagem escrita” – o que se passa com a criança antes de ser submetida a processos deliberados de alfabetização.
A principal condição necessária para que uma criança seja capaz de compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita é que ela descubra que a língua escrita é um sistema de signos que não tem significado em si (FERREIRO, 1988).
As crianças inicialmente imitam o formato da escrita de um adulto, produzindo apenas rabiscos mecânicos, sem nenhuma função instrumental; num nível mais avançado, elas continuam a fazer sinais sem relação com o conteúdo das sentenças faladas, passando por diferentes subníveis, até que consigam diferenciar os signos da escrita pelo conteúdo do que é dito. Neste ponto, a criança já descobriu a necessidade de trabalhar com marcas diferentes em sua escrita, que possam ser relacionadas com o conteúdo. Passa, então, para a utilização dos desenhos como forma de expressão individual. A partir desse momento, a criança passa à escrita simbólica. O próximo passo envolve o aprendizado da língua escrita propriamente dita – não um processo individual, mas que interage com a observação da vida cotidiana (OLIVEIRA, 1993). O mais importante é lembrar que se deve ensinar a linguagem escrita e não, simplesmente, a escrita das letras.
Outros aspectos devem ser contemplados para que o processo ensino-aprendizagem seja eficiente:
•A percepção – ao longo do desenvolvimento humano, a percepção torna-se cada vez mais um processo complexo. Ela age num sistema que envolve outras funções. Ao percebermos elementos do mundo real, fazemos inferências baseadas em conhecimentos adquiridos previamente e em informações sobre a situação presente, interpretando dados perceptuais à luz de outros conteúdos psicológicos.
“Percebo o objeto como um todo, como uma realidade completa, articulada e não como um amontoado de informações sensoriais” (VYGOTSKY, 1984 – p.42).
Eis aqui mais um momento privilegiado daquele que ensina: instigar a criança; ‘bombardeá-la’ de perguntas; pedir sua opinião sobre algo, o que favorece o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo, respeitando as suas limitações.
•A atenção – que vai sendo gradualmente submetida a processos de controle voluntário, em grande parte fundamentados na mediação simbólica.
•A memória – uma importante função psicológica ao longo do desenvolvimento e com poderosa influência dos significados e da linguagem.
Diante do exposto, faz-se importante considerar o ensino como uma prática social específica, que se dá no interior de um processo de educação e que ocorre de maneira espontânea ou sistematizada, intencional e organizada, sempre que mediada pelo educador.
O ensino não é, portanto, um movimento de transmissão que termina quando a coisa que se transmite é recebida, mas “o começo do cultivo de uma mente de forma que o que foi semeado crescerá” (OAKESHOTT, 1968 – p. 160).
REFERÊNCIAS
FERREIRO, E. Reflexões sobre a alfabetização. 12ª ed. São Paulo, Cortez, 1988.
OAKESHOTT, M. Aprendizagem e ensino. IN: PETERS, R.S. London, Routledge, 1968.
(Trad. Helena Meidani e José Sérgio Carvalho).
OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. São Paulo, Scipione, 1993, p. 20 – 72.
REGO, T.C. Vygotsky – uma perspectiva histórico-cultural da educação. Rio de Janeiro, Vozes, 1999, p. 85.
RIOS, T. A. Ética e competência. 6ª ed. São Paulo, Cortez, 1997, p.67.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984, p.37 – 95.
_______________. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987, p.22 – 37.
VYGOTSKY, L.S.et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone/Edusp, 1988. p.103-17.
O EMPIRISMO - PEDAGOGIA DIRETIVA
Origem do termoO empirismo afirma que a razão, com seus princípios, seus procedimentos e suas idéias, é adquirida por nós através da experiência. Em grego, experiência se diz empeiria – donde, empirismo, conhecimento empírico, isto é, conhecimento adquirido por meio da experiência.
As Ideias básicasO empirismo é uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da verdade e das idéias racionais através da experiência. É descrito-caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
Os defensores do empirismo afirmam que a razão, a verdade e as ideias racionais são adquiridas por nós através da experiência. Antes da experiência, dizem eles, nossa razão é como uma “folha em branco”, onde nada foi gravado. Somos como uma cera sem forma e sem nada impresso nela, até que a experiência venha descrever na folha, gravar na tabula, dar forma à cera.
As idéias, trazidas pela experiência, isto é, pela sensação, pela percepção e pelo hábito, são levadas à memória e, de lá, a razão as apanha para formar os pensamentos.
A experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias e a razão irá associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos.
Os principais representantes
No decorrer da história da Filosofia muitos filósofos defenderam a tese empirista, mas os mais famosos e conhecidos são os filósofos ingleses dos séculos XVI ao XVIII, chamados, por isso, de empiristas ingleses: Francis Bacon, Jonh Locke, George Berkeley e David Hume.
John Locke é considerado o principal figurante do empirismo. Com sua corrente, denominada Tábula Rasa, afirmou que as pessoas desconhecem tudo, mas que através de tentativas e erros aprendem e conquistam experiência. Sua corrente também originou o behaviorismo que busca o entendimento dos processos mentais internos do homem.
Outros filósofos estão associados ao empirismo como: Aristóteles, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, George Berkeley, David Hume e Hohn Stuart Mill. Destes, Francis Bacon e Thomas Hobbes conseguiram influenciar uma geração de filósofos do Reino Unido com o empirismo no século XVII.
Os problemas do empirismoO empirismo se defronta com um problema insolúvel. Se as ciências são apenas hábitos psicológicos de associar e percepções e ideias por semelhança e diferença, bem como por contiguidade espacial ou sucessão temporal, então as ciências não possuem verdade alguma, não explicam realidade alguma, não alcançam os objetos e não possuem nenhuma objetividade.
Ora, o ideal racional da objetividade afirma que uma verdade é uma verdade porque corresponde à realidade das coisas e, portanto, não depende de nossos gostos, nossas opiniões, nossas preferências, nossos preconceitos, nossas fantasias, nossos costumes e hábitos. Em outras palavras, não é subjetiva, não depende de nossa vida pessoal e psicológica. Essa objetividade, porém, para o empirista, a ciência não pode oferecer nem garantir.
Modelo pedagógico: Pedagogia diretivaAs Ideias básicas
Esta concepção teórica parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio e não pelo sujeito. A ideia é que o ser humano não nasce inteligente mas é passivamente submetido às forças do meio que provocam suas reações. O desenvolvimento intelectual pode ser totalmente modelado.
Para melhor compreendermos a influência do modelo empirista/ comportamentista sobre a educação, deve-se observar as três conclusões fundamentais de John Watson:
- o determinismo ambiental: o ambiente é fator primordial do desenvolvimento;- o objetivo da ciência psicológica é o comportamento e é diretamente observável. A aprendizagem também é um comportamento e deve ser entendida como resposta a estímulos, mediante um processo de condicionamento;
- o caráter mensurável dos fenômenos comportamentais: tudo o que existe pode ser medido.
Como acontece o conhecimento nesta concepçãoO conhecimento se origina e se evolui a partir das experiências que o indivíduo acumula. O conhecimento está no objeto a ser conhecido e se dá por transmissão. O conhecimento é de natureza extrema, se encontra fora do sujeito; a resposta do organismo ocorre através de um estímulo proveniente do meio. O conhecimento se dá somente pela percepção e é fruto da simples associação entre objetos.
Os principais teóricosOs americanos John B. Watson e B. F. Skinner, representantes do behaviorismo, são os mais conhecidos adeptos do empirismo. Skinner é responsável pela Teoria do Reforço – todo comportamento se manifesta através de um estímulo recebido.
As Implicações pedagógicasO sujeito tem um papel insignificante na elaboração e aquisição do conhecimento, compete a ele memorizar, sintetizar, resumir, dentro de um processo formal de educação. A escola tem a função de moldar o indivíduo, reforçando os comportamentos positivos; corrigindo, de modo que o aluno apresente comportamentos socialmente aceitos na sala de aula; o trabalho individual, a atenção, a concentração, o esforço e a disciplina funcionam como garantias para a aprendizagem.
O papel da escola e do ensino é super valorizado, o aluno nada sabe, precisa de alguém para transmitir as informações, e essas não precisam ter relação com a vida do aluno, nem com a realidade social – “conhecimento depositado no aluno” ou seja “educação bancária”.
Na escola não há lugar para troca de informações, questionamentos, comunicação entre os alunos; estes comportamentos são vistos como falta de respeito ao professor, bagunça e indisciplina.
O ensino é centrado no professor – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho.
A avaliação é objetiva, isto é, a medida de resultados observáveis antes da aprendizagem (avaliação diagnóstica), durante a aprendizagem (avaliação formativa), ou após o período de ensino-aprendizagem (avaliação somativa). A figura ilustra uma sala de aula empirita.

O Papel do professor
A responsabilidade do professor pode variar a depender de se priorizar ou não as experiências espontâneas, do sujeito em relação à organização artificial das situações de ensino. A imagem abaixo simboliza como seria/é o professor empirista.

As Críticas à Pedagogia diretiva
a) Aluno passivo
De fundamentação positivista, a teoria manteve a descrição mecanicista de homem, ser considerado passivo e cujo comportamento é totalmente explicável segundo um modelo simplista de causa e efeito, que faz lembrar o modelo científico da Física do século XIX, hoje abandonado até mesmo por esta ciência.
b) O ensino como transmissão de conhecimento
Durante vários anos as técnicas educacionais se resumiram na utilização de técnicas aversivas – o papel do professor consistia em fazer com que os alunos aprendessem e o papel dos alunos consistia em escapar das ameaças, aprendendo. Paulo Freire, importante pensador brasileiro, defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de informações do professor sobre o aluno. Para ele, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado; portanto, a docência não é possível sem a discência, pois as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.
c) A prática docente sem reflexão
Segundo Paulo Freire (1996), a reflexão crítica sobre a prática é um momento fundamental na formação permanente dos professores. Apesar da busca de superação de práticas docentes tradicionais através da pedagogia pós-crítica ou relacional, a partir da década de 1990, o conservadorismo ainda é verificado no ensino brasileiro, principalmente na educação pública. Pode-se observar que as ações pedagógicas dos educadores de escolas públicas ainda caracterizam-se pelo tradicionalismo. Peculiaridades como o apego ao livro didático, ausência de problematização do conteúdo trabalhado, predomínio de aulas expositivas, falta de interação entre educador e educandos, currículo construído sem levar em conta a realidade dos educandos constituem algumas peculiaridades presentes nas salas de aula de escolas públicas.
Sugestões
1) Para ver:
a) Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, EUA, 1997): dirigido por Peter Weir, o filme traz Robin Williams no papel do carismático professor de inglês John Keating, que chega para lecionar num rígido colégio para rapazes, com métodos de ensino pouco convencionais que transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem seus próprios sonhos e a viverem suas vidas extraordinárias.
b) Escritores da liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007): dirigido por Richard LaGravenese, o filme é baseado na história real de Erin (interpretada por Hilary Swank), uma professora novata interessada em lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes resistentes ao ensino convencional; alguns estão ali cumprindo pena judicial, e todos são reféns das gangues avessas ao convívio pacífico com os diferentes. Como em outros filmes sobre turmas problemáticas, a professora Erin toma sua tarefa como um grande desafio: educar e civilizar aquela turma esquizofrênizada e estigmatizada como “os sem-futuro” pelos demais professores. Percebe que seu trabalho deve ir para além da sala de aula. Sendo assim, ela tenta inspirar seus alunos problemáticos a aprender algo mais sobre tolerância, valorizar a si mesmos, investir em seus sonhos e dar continuidade a seus estudos além da escola básica.
2) Para ouvir:
a) Estudo errado, de Gabriel o Pensador: Música que faz uma crítica bem humorada sobre o método “decoreba” de aprendizagem.
b) Another brick in the wall, do grupo Pink Floyd: Música que faz uma crítica radical ao método de ensino tradicional.
A PEDAGOGIA DIRETIVA NO ENSINO BRASILEIRO
No Brasil, durante o Período Republicano e sob a influência do positivismo, a reforma de Benjamim Constant no sistema de ensino é aprovada, gerando supressão do ensino religioso nas escolas públicas e o Estado passa a assumir a laicidade. A visão burguesa é disseminada pela escola, visando garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. Com a expansão cafeeira o modelo econômico passa de agrário-exportador para o modelo urbano-comercial- exportador.
A Pedagogia Diretiva ou Tradicional se articula no Brasil com os pareceres de Rui Barbosa e de Benjamim Constant. Nessa pedagogia a ênfase recai ao ensino humanista da cultura geral centrado no professor, a relação pedagógica é hierarquizada e verticalizada, “o método de ensino é calcado nos cinco passos formais de Herbart” (VEIGA, 2004). O Período conhecido como a Primeira República é marcado por um processo de descentralização do controle e de maior organização dos serviços, incluindo os educacionais.
Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. In. Educação e construção do conhecimento. [s/l], [s/d]. pp. 15-32.
CHAUÍ, Marilena. A razão: inata ou adquirida? In: Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. pp: 69-74.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MOREIRA, Marco Antônio. Ensino e aprendizagem: enfoques teóricos. 3 ed. [s/l]: Moraes, [s/d].
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1991.
Esta concepção teórica parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio e não pelo sujeito. A ideia é que o ser humano não nasce inteligente mas é passivamente submetido às forças do meio que provocam suas reações. O desenvolvimento intelectual pode ser totalmente modelado.
Para melhor compreendermos a influência do modelo empirista/ comportamentista sobre a educação, deve-se observar as três conclusões fundamentais de John Watson:
- o determinismo ambiental: o ambiente é fator primordial do desenvolvimento;
- o caráter mensurável dos fenômenos comportamentais: tudo o que existe pode ser medido.
Como acontece o conhecimento nesta concepçãoO conhecimento se origina e se evolui a partir das experiências que o indivíduo acumula. O conhecimento está no objeto a ser conhecido e se dá por transmissão. O conhecimento é de natureza extrema, se encontra fora do sujeito; a resposta do organismo ocorre através de um estímulo proveniente do meio. O conhecimento se dá somente pela percepção e é fruto da simples associação entre objetos.
Os principais teóricosOs americanos John B. Watson e B. F. Skinner, representantes do behaviorismo, são os mais conhecidos adeptos do empirismo. Skinner é responsável pela Teoria do Reforço – todo comportamento se manifesta através de um estímulo recebido.
As Implicações pedagógicasO sujeito tem um papel insignificante na elaboração e aquisição do conhecimento, compete a ele memorizar, sintetizar, resumir, dentro de um processo formal de educação. A escola tem a função de moldar o indivíduo, reforçando os comportamentos positivos; corrigindo, de modo que o aluno apresente comportamentos socialmente aceitos na sala de aula; o trabalho individual, a atenção, a concentração, o esforço e a disciplina funcionam como garantias para a aprendizagem.
O papel da escola e do ensino é super valorizado, o aluno nada sabe, precisa de alguém para transmitir as informações, e essas não precisam ter relação com a vida do aluno, nem com a realidade social – “conhecimento depositado no aluno” ou seja “educação bancária”.
Na escola não há lugar para troca de informações, questionamentos, comunicação entre os alunos; estes comportamentos são vistos como falta de respeito ao professor, bagunça e indisciplina.
O ensino é centrado no professor – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho.
A avaliação é objetiva, isto é, a medida de resultados observáveis antes da aprendizagem (avaliação diagnóstica), durante a aprendizagem (avaliação formativa), ou após o período de ensino-aprendizagem (avaliação somativa). A figura ilustra uma sala de aula empirita.
O Papel do professor
A responsabilidade do professor pode variar a depender de se priorizar ou não as experiências espontâneas, do sujeito em relação à organização artificial das situações de ensino. A imagem abaixo simboliza como seria/é o professor empirista.

As Críticas à Pedagogia diretiva
a) Aluno passivo
De fundamentação positivista, a teoria manteve a descrição mecanicista de homem, ser considerado passivo e cujo comportamento é totalmente explicável segundo um modelo simplista de causa e efeito, que faz lembrar o modelo científico da Física do século XIX, hoje abandonado até mesmo por esta ciência.
b) O ensino como transmissão de conhecimento
Durante vários anos as técnicas educacionais se resumiram na utilização de técnicas aversivas – o papel do professor consistia em fazer com que os alunos aprendessem e o papel dos alunos consistia em escapar das ameaças, aprendendo. Paulo Freire, importante pensador brasileiro, defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de informações do professor sobre o aluno. Para ele, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado; portanto, a docência não é possível sem a discência, pois as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.
c) A prática docente sem reflexão
Segundo Paulo Freire (1996), a reflexão crítica sobre a prática é um momento fundamental na formação permanente dos professores. Apesar da busca de superação de práticas docentes tradicionais através da pedagogia pós-crítica ou relacional, a partir da década de 1990, o conservadorismo ainda é verificado no ensino brasileiro, principalmente na educação pública. Pode-se observar que as ações pedagógicas dos educadores de escolas públicas ainda caracterizam-se pelo tradicionalismo. Peculiaridades como o apego ao livro didático, ausência de problematização do conteúdo trabalhado, predomínio de aulas expositivas, falta de interação entre educador e educandos, currículo construído sem levar em conta a realidade dos educandos constituem algumas peculiaridades presentes nas salas de aula de escolas públicas.
Sugestões
1) Para ver:
a) Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, EUA, 1997): dirigido por Peter Weir, o filme traz Robin Williams no papel do carismático professor de inglês John Keating, que chega para lecionar num rígido colégio para rapazes, com métodos de ensino pouco convencionais que transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem seus próprios sonhos e a viverem suas vidas extraordinárias.
b) Escritores da liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007): dirigido por Richard LaGravenese, o filme é baseado na história real de Erin (interpretada por Hilary Swank), uma professora novata interessada em lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes resistentes ao ensino convencional; alguns estão ali cumprindo pena judicial, e todos são reféns das gangues avessas ao convívio pacífico com os diferentes. Como em outros filmes sobre turmas problemáticas, a professora Erin toma sua tarefa como um grande desafio: educar e civilizar aquela turma esquizofrênizada e estigmatizada como “os sem-futuro” pelos demais professores. Percebe que seu trabalho deve ir para além da sala de aula. Sendo assim, ela tenta inspirar seus alunos problemáticos a aprender algo mais sobre tolerância, valorizar a si mesmos, investir em seus sonhos e dar continuidade a seus estudos além da escola básica.
2) Para ouvir:
a) Estudo errado, de Gabriel o Pensador: Música que faz uma crítica bem humorada sobre o método “decoreba” de aprendizagem.
b) Another brick in the wall, do grupo Pink Floyd: Música que faz uma crítica radical ao método de ensino tradicional.
A PEDAGOGIA DIRETIVA NO ENSINO BRASILEIRO
No Brasil, durante o Período Republicano e sob a influência do positivismo, a reforma de Benjamim Constant no sistema de ensino é aprovada, gerando supressão do ensino religioso nas escolas públicas e o Estado passa a assumir a laicidade. A visão burguesa é disseminada pela escola, visando garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. Com a expansão cafeeira o modelo econômico passa de agrário-exportador para o modelo urbano-comercial- exportador.
A Pedagogia Diretiva ou Tradicional se articula no Brasil com os pareceres de Rui Barbosa e de Benjamim Constant. Nessa pedagogia a ênfase recai ao ensino humanista da cultura geral centrado no professor, a relação pedagógica é hierarquizada e verticalizada, “o método de ensino é calcado nos cinco passos formais de Herbart” (VEIGA, 2004). O Período conhecido como a Primeira República é marcado por um processo de descentralização do controle e de maior organização dos serviços, incluindo os educacionais.
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. In. Educação e construção do conhecimento. [s/l], [s/d]. pp. 15-32.
CHAUÍ, Marilena. A razão: inata ou adquirida? In: Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. pp: 69-74.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MOREIRA, Marco Antônio. Ensino e aprendizagem: enfoques teóricos. 3 ed. [s/l]: Moraes, [s/d].
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1991.
sábado, 9 de julho de 2011
BRASILEIROS REAFIRMA SOLIDARIEDADE A CUBA
03 Julho 2011
Solidariedade a Cuba
Brasileiros reafirmam solidariedade à Revolução Cubana
Havana - Granma Internacional - No último domingo, 26 de junho, em São Paulo, foi encerrada a 19ª Convenção de Solidariedade a Cuba. Os mais de 500 participantes reafirmaram seu respaldo à Revolução cubana e expressaram seu compromisso para incrementar as ações em favor da ilha caribenha.
A Carta de São Paulo, documento que é a declaração final do encontro realizado no Memorial da América Latina, uma das mais belas obras do famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, exalta o crescimento da solidariedade a Cuba neste imenso país sul-americano.
"Diante das ameaças dos Estados Unidos, os que apoiam a Revolução cubana devem estar cada vez mais organizados em sua defesa e para isso nossas campanhas de informação, manifestações nas ruas e pronunciamentos de parlamentares precisam avançar", indica o texto.
Os brasileiros amigos da ilha caribenha concordaram em intensificar as ações em favor da libertação dos cinco antiterroristas cubanos Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Fernando González, Ramón Labañino e Renê González, presos injustamente nos Estados Unidos há quase 13 anos.
CONTRA O BLOQUEIO
Igualmente, prosseguir na luta pelo fim do criminoso bloqueio econômico, financeiro e comercial que há mais de meio século Washington mantém contra Havana, no vão intento de render o povo cubano que, pelo contrário, resiste e mantém vivo seu espírito internacionalista.
Diante das mentiras e tergiversações da grande imprensa de direita do Brasil sobre a realidade cubana, os brasileiros amigos da ilha destacaram a necessidade de trabalhar para romper esse bloqueio midiático.
Para melhorar e aperfeiçoar esse trabalho no Brasil, os participantes na 19ª Convenção destacaram a importância de enviar uma delegação ao 6º Encontro Continental de Solidariedade a Cuba, que será realizado no México, de 6 a 9 de outubro deste ano.
Os convencionais brasileiros exaltaram a necessidade de acompanhar a postura do Brasil na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a ser criada nos dias 5 e 6 de julho próximo em Caracas, Venezuela, como parte do bicentenário da independência de várias nações da região.
Os delegados assumiram a tarefa de fortalecer a atividade de divulgação dos objetivos da atualização do modelo econômico cubano, discutidos amplamente pelo povo e aprovados no 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba e destinados a aperfeiçoar o socialismo na ilha caribenha.
Da Convenção de Solidariedade a Cuba, organizada pelo Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, participaram representantes de 16 dos 27 estados brasileiros, assim como uma delegação cubana, encabeçada pela presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, Kenia Serrano.
Magali Llort, deputada e mãe de Fernando González, um dos cinco cubanos lutadores contra o terrorismo; Zuleika Romay, presidente do Instituto Cubano do Livro; o coronel da reserva, José Ramón Herrera; a professora do Instituto de Relações Internacionais, Nidia María Alfonso e a jornalista Rosa Miriam Elizalde, coordenadora do site Cubadebate, também integravam a delegação cubana.
AGRADECIMENTO EMOCIONADO
O ato final da convenção foi marcado por muita emoção. Realizado no Memorial da Resistência, instalado no edifício onde funcionava o DOPS, na época da ditadura militar, militantes perseguidos pela ditadura que foram acolhidos em Cuba agradeceram à ilha caribenha pela solidariedade.
Os ex-presos políticos Ivan Seixas, Damaris Lucena, Elsa Lobos e Clara Sharf rememoraram a época de luta contra o regime militar e a firme colaboração da Revolução cubana com todos os companheiros perseguidos.
Seixas contou que nas reuniões dos grupos armados escutavam a Rádio Havana de Cuba, que era uma inspiração muito grande e uma alegria imensa, cada vez que escutavam notícias de que alguns dos companheiros de luta tinham conseguido chegar à ilha.
"Agradecemos por tudo o que fizeram por nós e nós faremos tudo o que pudermos por Cuba".
Damaris Lucena rememorou os horrores vividos na prisão durante a ditadura militar e recordou que foi uma das prisioneiras trocadas pelo cônsul japonês Nobuo Okushi e enviada ao México com seus filhos.
Ela contou que estando no México foi convidada a viajar a Cuba com seus familiares.
"Cuba é meu segundo país e os cubanos são meus irmãos", disse emocionada. "Tudo o que eu e meus filhos tenhamos que fazer por Cuba, faremos", declarou.
Também Elsa Lobo expressou sua eterna gratidão a Cuba pela formação que recebeu nesse país maravilhoso, e exaltou a colaboração recebida de diplomatas cubanos em diferentes países quando trabalhou em um organismo das Nações Unidas ou teve que exilar-se em Paris.
Com lágrimas nos olhos, Clara Sharf, companheira do líder comunista Carlos Marighella, assassinado pela ditadura militar, manifestou a estreita relação existente entre Marighella e a Revolução cubana, assim como seu trabalho na criação das primeiras associações de solidariedade a Cuba no Brasil.
Kenia Serrano, presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap) disse que este ato de agradecimento a seu país se converte em uma oportunidade para que Cuba agradeça aos brasileiros por sua combatividade, solidariedade e apoio ao direito à existência do processo revolucionário cubano.
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