"Vocês podem imaginar alguém como eu, que disse que é injusta a punição por algo que não temos escolha como cor e sexo, se cale quando pessoas são perseguidas e assassinadas por sua orientação sexual?".
Para Tutu, a homofobia é "tão injusta como o racismo" e disse que os homossexuais não são uma raça à parte. "Não gostaria de ir para um céu homofóbico. Pediria desculpas e diria que gostaria de ir para outro lugar".
"Temos que construir uma sociedade tolerante, e não teremos uma sociedade livre até que todas e cada uma das pessoas sejam reconhecidas e aceitas pelo que são", disse o arcebispo, que acrescentou ter consciência de que muitos líderes religiosos consideram a homossexualidade como um pecado.
O arcebispo sul-africano participou do início da campanha global da ONU "Livres e Iguais", que pretende conscientizar sobre a violência e a discriminação contra as minorias sexuais.
O prêmio Nobel da Paz de 1984 disse que muita gente não pode escolher livremente seu estilo de vida devido aos "preconceitos" e à "violência potencial" que podem enfrentar.
Esta não é a primeira vez que o líder religioso defende a homossexualidade: em dezembro pediu ao governo de Uganda que rejeitasse uma minuta de lei que pretende endurecer as penas contra essa minoria.
"Com grande dor contemplo a submissão e a repressão de irmãos africanos cujo único crime é a prática do amor. O ódio, em nenhuma de suas formas, tem lugar na casa de Deus", disse Tutu.
Apesar de ser o único país africano que reconhece legalmente a união homoafetiva e o direito de adoção para casais do mesmo sexo, os ataques às minorias e as discriminações são frequentes na África do Sul, especialmente entre a maioria negra, pobre e com pouca escolaridade.