Meu comentário para a situação problema do famigerado curso:
Não parece confortável estarmos aqui num suposto curso de atualização de práticas pedagógicas a tratar de uma fictícia situação problema de uma escola que não existe. Portanto, melhor tratar da situação problema pensando na escola com a qual se convive, esta sim real.
O fracasso da educação pública vem da completa falta de estrutura que enfrentam as nossas escolas. Professores desvalorizados tendo que se desdobrar em três turnos para conseguir manter um padrão de vida razoável, porém sem qualidade vida alguma. Escolas que recebem verbas desse ou daquele programa, que até recebe equipamentos e máquinas, mas que não tem pessoal capacitado para lidar com elas. Sequer contam os estabelecimentos de ensino com o apoio de um efetivo serviço pedagógico há mais de uma década, fazendo com que muitos professores até desconheçam o que é coordenação pedagógica levada a efeito por profissionais da área.
Resultado, potencialização do estress para o professor, que além da sua atividade, tem que se desdobrar para suprir a falta do suporte eltro-técnico e pedagógico. Para não falar na falta do suporte psicológico e familiar, dado ao grave problema social que é a desestruturação familiar no seio da sociedade brasileira, sobretudo entre a população mais empobrecida.
Como tratar disso? Como falar em professor-pesquisador na estrutura educacional vigente, como professores que sequer podem se dar ao luxo de ler um jornal? Esse mesmo professor vai discutir currículo e interdisciplinaridade com quem, em que tempo se não lhe são oferecidas as condições indispensáveis para tal? Se o pesquisador não pode pensar nem pesquisar? Daí que a avaliações criadas pelos governos terem um único destino, revelar o caos.
Professor não pode fazer milagre, ele não é nenhuma Entidade Divina. A questão é política. Precisamos de uma política de Estado (não de governo) para a educação. Que essa política seja construída com a sociedade, ouvindo-se os professores, os alunos, os funcionários da escola, enfim a comunidade escolar como um todo.
O que se tem assistido é uma sucessão de projetos aprontados às pressas nos interiores dos gabinetes, impostos de cima prá baixo, discutidos, quando muito, rasamente, ou mesmo sem discussão alguma, e pior, sem sequer oferecer o devido suporte para que mesmo esses obtenham resultados efetivos. Já vimos várias deles naufragarem.
O início desse curso é uma prova de tudo isso. Um governo autoritário, para punir os professores que o desafiaram a simplesmente CUMPRIR A LEI, cria algo absurdo e talvez inédito na história, exigir um curso para pagar o aumento que a LEI assegurou. Não obstante isso, já em nossa primeira tarefa somos compelidos a divagar sobre o irreal. De onde se intui que os pedagogos precisam ir para as escolas, é lá que a realidade acontece.