domingo, 27 de janeiro de 2013

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Fabrício Carpinejar

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

A JUSTIÇA ECONÔMICA SEGUNDO MARTIN LUTHER KING


Em meio aos debates sobre Lincoln, a escravidão e a posse de Obama, Osagyefo Sekou, fundador da Igreja da Liberdade de Nova York, comenta neste artigo o papel histórico de Martin Luther King, que não somente dizia “não” à segregação, mas também à injustiça econômica: “Eu estou convencido de que a abordagem mais simples se provará a mais efetiva – a solução para a pobreza é sua abolição imediata por uma medida já muito discutida: a renda garantida”.

“Querida, eu sinto muito sua falta. Na verdade, muito para meu bem. Eu nunca havia percebido que você era parte tão íntima de minha vida”, escreve um jovem estudante de pós-graduação, Martin Luther King Jr., à sua amada, Coretta Scott. Eles separaram-se por alguns meses porque Martin teve que ir a Atlanta após seu primeiro ano como estudante PhD na Escola de Teologia da Universidade de Boston. A carta de Martin começa por partilhar a saudade que ele sente. Afiando a oratória que capturaria a consciência de uma nação, escreve Martin: “minha vida sem você é como um ano sem primavera, que vem iluminar e aquecer a atmosfera saturada pela gelada brisa do inverno”.

Voltando-se para “algo mais intelectual”, Martin indica que havia terminado de ler o “fascinante” livro de Bellamy. Em abril de 1952, Coretta o enviou uma cópia do romance socialista de Edward Bellamy, Looking Backward 2000-1887. Ela registrou o presente com uma nota expressando seu interesse pela reação de Martin à “predição de Bellamy sobre nossa sociedade”. Escrito em 1888, o romance de ficção-científica se passa no ano 2000. A protagonista da obra, Julian West, acorda de um cochilo de 130 anos para perceber que os Estados Unidos haviam se transformado numa sociedade socialista. West oferece uma crítica assombrosa das práticas religiosas do século XIX:

Na melosa carta de amor de julho de 1952, Martin agradece Coretta “um milhão de vezes” por tê-lo apresentado a um livro “tão estimulante”. Após caracterizar Bellamy como um “profeta social”, Martin faz uma confissão notável: “eu sou mais socialista do que capitalista em minha teoria econômica”. Ele continua por dizer que o capitalismo durou mais tempo do que deveria. Para o jovem estudante, o capitalismo é “um sistema que toma necessidades das massas para oferecer luxúrias às classes abastadas”. No entanto, Martin acredita que a profecia de Bellamy é prematura porque “o capitalismo vai precisar de mais de meio século para morrer”. King celebra a nacionalização da indústria que se dá no romance. Ao passo que rejeita o marxismo e o materialismo dialético, ele divide com sua futura esposa que concorda com a tese básica de Bellamy.

O Reverendo Martin Luther King Junior
A casa de King em Sweet Auburn sempre foi atuante na política racial e no radicalismo religioso. Seu pai, o venerável “Papai” King, fundou, em Sweet Auburn, a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor e trabalhou para melhorar as condições educacionais do povo negro de Atlanta. O avô e bisavô de King eram pregadores do evangelho que criam que a igreja deve melhorar a situação social da população.

Formado pelo cristianismo social negro segundo o qual a cristandade deve ocupar-se tanto da salvação pessoal quanto da social, King cresceu imerso na tradição dos clérigos estadistas – Benjamin Mays, Mordecai Johnson e Howard Thurman. Thurman, Mays e Johnson fizeram peregrinações para a Índia para estudar os ensinamentos de Mahatma Gandhi. Eles eram grandes referências para o jovem estudante do Morehouse College. King sempre viajou com uma cópia da reprimenda teológica de Howard Thurman à segregação – Jesus e os Deserdados. Como pós-graduando da Universidade de Boston, King conduziu, além da própria peregrinação à Índia, um seminário sobre a filosofia da não-violência.

Mais para o final da carta, King afirma uma visão profética. Com esperança, trabalho e oração, King aspirava por “um mundo sem guerras, uma melhor distribuição da riqueza, e uma irmandade que transcenda a raça e a cor. É este o evangelho que pregarei para o mundo”.

O furacão da história testaria a resolução do jovem teólogo. Do boicote aos ônibus em Montgomery à marcha de Washington, da campanha de Birmingham até o Prêmio Nobel da Paz, King manteve firme seu comprometimento com a não-violência e o cristianismo social negro. Em 30 de setembro de 1961, King proferiu um sermão com o tema “Pode um cristão ser um comunista?” em sua igreja batista. No sermão, Martin levantou a questão da desigualdade. “Ninguém precisa ser comunista para se preocupar com isso. Eu digo a vocês que só 0,1 por cento da população desta nação controla quase metade da riqueza, e eu não me importo de dizer que há algo de errado nisso”.

Com Lincoln vigiando os nobres herdeiros da Proclamação da Emancipação, o Reverendo Martin Luther King Junior deu testemunho para uma nação que impacientava-se com a opressão racial e econômica. Durante o agora onipresente discurso “Eu Tenho um Sonho”, King articulou a “feroz urgência do agora”. Ele insistiu em apontar que os Estados Unidos não poderiam contentar-se enquanto o a mobilidade social do “povo negro é aquela que vai de um gueto menor para um gueto maior”.

No celebrado discurso contra a Guerra do Vietnã, King lembrou-se de Coretta e falou de seu evangelho para o mundo. No dia 4 de abril de 1967, Martin subiu ao púlpito da catedral do Protestantismo Liberal – a Igreja de Riverside. De maneira vagarosa e triste, ele apelou para que sua nação se libertasse de sua desorientada aventura no Sudeste Asiático:

“eles perguntam-me, ‘por que você está falando da guerra, Dr. King? Por que você se junta ao coro dos descontentes? Você não se vê prejudicando uma causa que pertence a seu próprio povo?’ E, quando eu os escuto, apesar de conhecer a origem dessa inquietude, me vejo muito entristecido. Essas perguntas significam que eles não conhecem a mim, meu compromisso, meu chamado... À luz dessas trágicas incompreensões, eu julgo de suma importância expor com clareza a razão pela qual creio que o caminho iniciado na Igreja Batista da Avenida Dexter – a igreja em Montgomery, Alabama, onde comecei meu pastorado – trouxe-me até aqui. Eu estou aqui para fazer um apelo apaixonado para minha querida nação”.

A justiça econômica segundo Martin Luther King
Um dos movimentos mais ardentes de seu discurso sublinha os impactos da Guerra do Vietnã na “Guerra à Pobreza”. Um ano antes de seu discurso, King atentou para a pobreza que o norte dos Estados Unidos atravessava. Compreendendo que o fim da segregação nas lanchonetes era só parte da solução, King é citado por colegas por ter dito que, após chegar a uma lanchonete, o homem precisa de dinheiro para comprar um hambúrguer. Acabar com a segregação, de acordo com King, não custou um centavo à nação, que deveria agora gastar muito dinheiro com programas de combate à pobreza.

Em 1966, King mudou-se para um conjunto habitacional no gueto de Chicago. A intenção de King e de sua organização, a Conferência dos Líderes Cristãos do Sul (SCLC, do inglês), era a de usar a “força moral do movimento de não-violência para erradicar um sistema perverso que procura continuar colonizando milhares de negros num ambiente miserável”. A campanha levou King a enfrentar a pobreza urbana e a privação econômica. A contar desse momento, Martin trouxe para sua crítica à Guerra do Vietnã a conexão com a pobreza dos guetos estadunidenses.

“Há uma conexão muito óbvia entre a Guerra do Vietnã e a luta que empreendemos nos Estados Unidos. Há alguns anos essa luta conheceu um momento brilhante. Parecia haver uma verdadeira esperança para o povo pobre, seja ele branco ou negro, em virtude do Programa Contra a Pobreza. Então, veio o Vietnã. Os fundos necessários não serão investidos enquanto aventuras como a do Vietnã continuarem a puxar homens e dinheiro como um tubo de sucção demoníaco. Eu tornei-me, pois, obrigado a enxergar a guerra como uma inimiga dos pobres”.

Pouco mais de um mês após esse discurso, King foi à NBC participar do “The Frank McGee Sunday Report”. Lá, o Reverendo acrescentou sua voz à dos dissidentes com base em sua convicção moral e sua obrigação ministerial. Durante a entrevista, ele recusou a acusação de que o movimento pelos direitos civis estava morto. King argumentou que o movimento havia entrado numa nova fase – a da justiça econômica.

“Por 12 anos nós lutamos para contra a segregação legal e toda a humilhação que a cercava. Era uma luta por decência. Agora nós buscamos igualdade genuína enfrentando questões sociais e econômicas duríssimas. É bem mais fácil pôr fim à segregação nas lanchonetes do que garantir um salário. É bem mais fácil pôr fim à segregação nos ônibus do que conseguir um programa que force o governo a gastar bilhões de dólares em bairros miseráveis”.

Após reconhecer o número desproporcional de afro-americanos morrendo nos pântanos vietnamitas, King comenta que afro-americanos também morriam, espiritual e psicologicamente, nos guetos estadunidenses.

O Reverendo não somente dizia “não” à segregação, também à injustiça econômica. Essa foi sua última cruzada. Tendo contado com o apoio do governo federal para alcançar os objetivos do movimento pelos direitos civis, a nova fase do movimento desafiava o governo a dedicar bilhões de dólares para acabar com a pobreza. Com esse objetivo, King e a SCLC lançaram a Campanha do Povo Pobre. Em 1968, a Campanha do Povo Pobre questionava por que as grandes corporações tinham lobistas, enquanto 35 milhões de pessoas vivendo na pobreza não. Com a montagem de uma coalizão multirracial pelo povo pobre, a campanha planejava ir a Washington e ocupar a capital nacional até que o Congresso aprovasse uma lei garantidora de renda.

Em seu último livro, Where Do We Go From Here: Chaos or Community? [Para onde vamos daqui: caos ou comunidade?], King deu voz a ainda mais uma possibilidade socialista e democrática. “Eu estou convencido de que a abordagem mais simples se provará a mais efetiva – a solução para a pobreza é sua abolição imediata por uma medida já muito discutida: a renda garantida”, escreveu King. Durante uma de suas últimas reuniões, ele pediu para que desligassem o gravador e disse que era um socialista democrático, apesar de que poderia dizê-lo em público sem perder ainda mais apoio popular.

Com a bala do assassinato já polida e pronta para encher a nação de cólera, King foi ao púlpito sagrado do pentecostalismo negro. Em defesa dos trabalhadores do saneamento, King disse uma palavra sobre o próprio legado. Sempre ligando os pontos, ele fez um pedido aos que o escutavam na Igreja de Deus em Cristo de Mason Temple. Ele disse que duas grandes corporações, Coca-Cola e Wonder Bread, não estavam tratando como deveriam as crianças de Deus. E, então, solicitou um boicote econômico a essas companhias. Em Trumpet of Conscience [Trombeta da Consciência], King instigava a organização de deslocamentos em massa que ressaltassem a injustiça econômica.

Muito após o silenciamento do profeta norte-americano, suas palavras mantém uma precisão assustadora. Nos últimos dois anos, cidadão comuns de todo mundo – Egito, Palestina, Tunísia, Wall Street, Grécia, Paris e Londres – carregaram suas palavras e seu espírito enquanto arriscavam as próprias vidas para libertarem-se da tirania e da pobreza.


*O Reverendo Osagyefo Sekou é escritor, documentarista, teólogo e intelectual público. Considerado um dos maiores líderes religiosos de sua geração, Sekou é o fundador da Igreja da Liberdade de Nova York.

Tradução de André Cristi




Guilherme Menezes entra no tabuleiro de 2014


Por: Luiz Fernando Lima (twitter: @limaluizf) - 27 de Janeiro de 2013 - 10h46

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O primeiro encontro da corrente interna “Movimento PT” na Bahia aconteceu neste sábado (26), na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia. No evento, o nome do prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, foi apresentado para integrar a lista de pré-candidatos do partido à sucessão do governador Jaques Wagner.

A presença de Menezes no tabuleiro petista liga o sinal de alerta para os outros quatro cotados – Walter Pinheiro, Rui Costa, Luiz Caetano e José Sérgio Gabrielli – vez que a construção da chapa majoritária de 2014 perpassa tanto pelos partidos aliados, quanto pela militância do próprio PT.

Neste cenário, a entrada do deputado estadual Marcelino Galo no núcleo da corrente na Bahia pode ser o “fiel da balança”. Ex-presidente do partido durante um dos anos mais “duros” (2005) – quando estorou o processo do “Mensalão” – e em 2006 - quando a legenda venceu a eleição para o governo do estado - Galo pode retomar o comando da legenda em novembro próximo.

O coordenador nacional da corrente, Romenio Pereira, em conversa com a reportagem do Bocão News, se mostrou entusiasmado com a ideia. “Estamos conversando há algum tempo com o prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, e com o deputado estadual Marcelino Galo. Estamos aqui coroando a formação de um grupo que já existia, mas que não tinha uma força enorme como a que estamos organizando agora. A ideia é colocarmos nossas ideias tanto em 2013, quanto em 2014, para o PT da Bahia”.

O ex-governador da Bahia, vereador de Salvador Waldir Pires, participou do evento e, sem querer ser taxativo, colocou o nome de Guilherme na lista de prováveis candidatos. “Guilherme, como administrador, é uma exceção extraordinária no Brasil inteiro. Porque foi absolutamente fiel à sociedade democrática do seu município. Fez uma administração honrada. Ele tem princípios e segue estes princípios. Isto não é pouca coisa. Tem compromisso com o destino da política do PT voltada para ser capaz de construir uma sociedade decente, mais justa e solidária. Demonstrou em sucessivas administrações”.

A tendência é integrada por nomes como o da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário e do ex-presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia. Na Bahia, o Movimento PT está em formação. No encontro deste sábado participaram cerca de 200 pessoas de 52 cidades diferentes. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças ocuparam as cadeiras do auditório da UFBA. No diretório de Salvador vale destacar a presença do ex-coordenador da Secretaria Estadual de Comunicação, Ernesto Marques.

Galo explica como chegou a este momento. “Este é um processo que vem se dando desde a nossa separação com a antiga tendência – Articulação de Esquerda – e que estávamos maturando, avaliando e fazendo reflexões sobre qual o caminho seguir. Passamos pelo período de eleição, em 2012, em que mergulhamos no processo e agora tomamos a decisão. Primeiro, de forma organizada fizemos a fusão com o grupo do prefeito Guilherme Menezes e veio o convite dele para participarmos deste Movimento”.

O parlamentar ressalta a diferença na construção dos caminhos dele e do prefeito de Conquista. “Guilherme não tinha esta tradição de participar de tendência dentro do partido. Nós, ao contrário, nos constituímos historicamente dentro de correntes. Juntos, chegamos a conclusão de que era preciso, não criar uma nova tendência, mas participar de uma onde o objetivo principal é o fortalecimento do PT. Uma tendência de cunho democrático, com participação da militância”.

PED

Os participantes do encontro se recusam a fazer “futurologia” sobre a expectativa de força da corrente no estado. Como o Processo de Eleição Direta (PED) acontece este ano, e todo filiado tem direito a voto, a capacidade de arregimentar militantes pode decidir a presidência e influenciar diretamente no processo de 2014.

Outro cenário

Atualmente, nos bastidores do PT, o que se discute é formação de dois grupos dentro do ninho petista, cada um com dois pré-candidatos à sucessão de Wagner. Em um deles, existe a aproximação de Luiz Caetano e Rui Costa. No outro, José Sergio Gabrielli e agora Guilherme Menezes. Pinheiro, neste cenário, é quem corre por fora. 


Postada às 18h38 do dia 26 de janeiro

sábado, 26 de janeiro de 2013

A FARRA DO AUMENTO DOS SALÁRIOS DOS VEREADORES


por Samuel Celestino
Há uma farra generalizada no país envolvendo os salários dos vereadores. De tal modo que, em Rio Branco (AC), houve um aumento de 96%, com os vencimentos pulando de R$ 6.129 para R$ 12.050,56. Segundo O Globo, foram reajustados os ganhos dos edis de 19 das 26 capitais. São elas: Boa Vista (67,5%), Maceió (67%), Belém (62,5%), Campo Grande (61,9%), Manaus (61,8%), São Paulo (61,8%), Recife (61,8%), João Pessoa (61,6%), Cuiabá (61,4%), São Luís (52,9%), Florianópolis (52,3%), Aracaju (44,6%), Salvador (44,5%), Teresina (43%), Belo Horizonte (34,1%), Fortaleza (27,9%), Curitiba (22,7%) e Natal (13,1%). Aqui em Salvador, como consta na lista, foram “meros” 44,5%, o que vale dizer, no meu entendimento, uma sem-sem-vergonhice só. Mas assim é. E não para por aí. Os eleitores sequer imaginam as artes e mágicas que os edis descobrem para multiplicar tal valor.

Não há biblioteca em 72,5% das escolas brasileiras


Lei 12.444 determina que até 2020 todos os colégios terão que ter acervo de livros

Publicado em 23/01/2013, às 08h03

Da Agência Estado

O Brasil precisa construir 130 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei 12.244, que estabelece a existência de um acervo de pelo menos um livro por aluno em cada instituição de ensino do País, tanto de redes públicas como privadas. Hoje, na rede pública, apenas 27,5% das escolas têm biblioteca.

Para equipar todas as 113.269 escolas públicas sem biblioteca, seria necessária a construção de 34 unidades por dia, segundo um levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação com base no Censo Escolar 2011. O estudo também faz uma comparação com números do Censo 2008 e mostra que, mesmo as escolas construídas nos três anos seguintes (foram 7.284 novas unidades) não contemplam o espaço: apenas 19,4% dessas novas instituições têm biblioteca.

Os Estados mais carentes são os das Regiões Norte e Nordeste, que tradicionalmente têm infraestrutura escolar precária, com escolas que chegam a funcionar em construções sem energia elétrica e saneamento básico. Na rede municipal do Maranhão, por exemplo, só 6% das escolas têm biblioteca.

O que destoa da lista, no entanto, é o aparecimento do Estado de São Paulo com um dos piores resultados do ranking, com 85% das unidades de sua rede pública (escolas estaduais e municipais) sem biblioteca. São 15.084 unidades sem o equipamento. Um enorme prejuízo, se considerado os resultados da edição 2012 da pesquisa Retratos do Brasil, que mostrou que, entre os 5 e 17 anos, as bibliotecas escolares estão à frente de qualquer outra forma de acesso ao livro (64%). “Isso mostra que só a legislação não é suficiente, porque tem lei que realmente não pega”, afirma Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação.

Quando se analisa o déficit por nível de ensino, vê-se, ainda, que as instituições de ensino infantil são as mais prejudicadas: enquanto 82% das escolas de ensino profissional e 52% das de ensino médio construídas após 2008 possuem biblioteca, apenas 10% das de ensino infantil têm o espaço.

Uma opção que é um contrassenso, argumentam os educadores, já que é na faixa etária dos 5 anos que a criança está descobrindo a língua escrita e tem de ser estimulada à descoberta e ao gosto pela leitura. No ensino médio, o estudante já teria acesso a outros ambientes de leitura.

Prefeitura assegura a utilização do nome social para travestis e transexuais
24/01/2013

A garantia desse direito é um dos motivos para celebrar, em 29 de janeiro, o Dia Nacional de Visibilidade Trans

No próximo dia 29 de janeiro é celebrado em todo país o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data ressalta a importância da diversidade, respeito, valorização e garantia dos direitos do Movimento Trans em todo Brasil. Em Vitória da Conquista, travestis e transexuais têm muito a comemorar. O município foi o primeiro do interior da Bahia a garantir o uso do nome social, uma das principais bandeiras de luta do movimento trans.
O nome social é a denominação, não correspondente à certidão de nascimento, pela qual transexuais e travestis se reconhecem e preferem ser chamadas cotidianamente nos ambientes públicos e privados. Em Vitória da Conquista, o direito de utilização do nome social é assegurado por meio do Decreto nº 14.273, sancionado no dia 14 de fevereiro do ano passado.
O documento garante às travestis e transexuais a possibilidade de usar o nome, pelo qual querem ser reconhecidas, nos órgãos da Administração Pública Municipal direta e indireta, autarquias, fundações e nas instituições públicas municipais de ensino. A medida representa o respeito à identidade de gênero, preserva o preceito constitucional do respeito à dignidade humana e também contribui para diminuir o preconceito. “O direito ao nome social é considerado um dos maiores aliados no combate à evasão escolar, na promoção da saúde e na construção da cidadania desse grupo populacional”, destacou o assessor técnico de Políticas para Diversidade Sexual, Danilo Bittencourt.
O nome social é escolhido pela própria travesti ou transexual. Ele pode ser utilizado no preenchimento de fichas de cadastros, formulários, prontuários, registros escolares e para o atendimento nos serviços prestados por qualquer órgão ou entidade municipal. A identificação é imediatamente adotada a pedido das pessoas maiores de 18 anos ou do responsável, quando for de interesse da criança ou adolescente.
Promoção da cidadania - O decreto instituído em Vitória da Conquista faz parte de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Municipal, com o objetivo de contribuir para a promoção da cidadania independente da orientação sexual das pessoas. “Caminhamos no sentido de construir uma cidade de respeito ao ser humano, independente de sua orientação sexual e identidade de gênero. Para transexuais e travestis, esta luta contra a discriminação tem um nome: aquele que escolheram usar nas relações cotidianas, o chamado nome social”, certificou o assessor.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Reflexão On ou OFF De que lado você está Melhor ?

Meu comentário para a situação problema do famigerado curso:

Meu comentário para a situação problema do...
Adílson Santos22 de dezembro de 2012 19:21
Meu comentário para a situação problema do famigerado curso:

Não parece confortável estarmos aqui num suposto curso de atualização de práticas pedagógicas a tratar de uma fictícia situação problema de uma escola que não existe. Portanto, melhor tratar da situação problema pensando na escola com a qual se convive, esta sim real.

O fracasso da educação pública vem da completa falta de estrutura que enfrentam as nossas escolas. Professores desvalorizados tendo que se desdobrar em três turnos para conseguir manter um padrão de vida razoável, porém sem qualidade vida alguma. Escolas que recebem verbas desse ou daquele programa, que até recebe equipamentos e máquinas, mas que não tem pessoal capacitado para lidar com elas. Sequer contam os estabelecimentos de ensino com o apoio de um efetivo serviço pedagógico há mais de uma década, fazendo com que muitos professores até desconheçam o que é coordenação pedagógica levada a efeito por profissionais da área.

Resultado, potencialização do estress para o professor, que além da sua atividade, tem que se desdobrar para suprir a falta do suporte eltro-técnico e pedagógico. Para não falar na falta do suporte psicológico e familiar, dado ao grave problema social que é a desestruturação familiar no seio da sociedade brasileira, sobretudo entre a população mais empobrecida.

Como tratar disso? Como falar em professor-pesquisador na estrutura educacional vigente, como professores que sequer podem se dar ao luxo de ler um jornal? Esse mesmo professor vai discutir currículo e interdisciplinaridade com quem, em que tempo se não lhe são oferecidas as condições indispensáveis para tal? Se o pesquisador não pode pensar nem pesquisar? Daí que a avaliações criadas pelos governos terem um único destino, revelar o caos. 

Professor não pode fazer milagre, ele não é nenhuma Entidade Divina. A questão é política. Precisamos de uma política de Estado (não de governo) para a educação. Que essa política seja construída com a sociedade, ouvindo-se os professores, os alunos, os funcionários da escola, enfim a comunidade escolar como um todo. 

O que se tem assistido é uma sucessão de projetos aprontados às pressas nos interiores dos gabinetes, impostos de cima prá baixo, discutidos, quando muito, rasamente, ou mesmo sem discussão alguma, e pior, sem sequer oferecer o devido suporte para que mesmo esses obtenham resultados efetivos. Já vimos várias deles naufragarem.

O início desse curso é uma prova de tudo isso. Um governo autoritário, para punir os professores que o desafiaram a simplesmente CUMPRIR A LEI, cria algo absurdo e talvez inédito na história, exigir um curso para pagar o aumento que a LEI assegurou. Não obstante isso, já em nossa primeira tarefa somos compelidos a divagar sobre o irreal. De onde se intui que os pedagogos precisam ir para as escolas, é lá que a realidade acontece.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

PISO SALARIAL DOS PROFESSORES TERÁ REAJUSTE DE 7,97% EM 2013


10/01/2013 - 18h21

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O valor piso salarial nacional do magistério da educação básica terá reajuste de 7,97% em 2013. A informação foi divulgada hoje (10) pelo Ministério da Educação. Com o aumento, o valor passa de R$ 1.451 para R$ 1.567 e já será pago, por estados e municípios em fevereiro. A composição do piso leva em conta o custo anual por estudante dos últimos dois anos, calculado pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
O reajuste do piso em 2013 não segue a tendência de aumento dos últimos dois anos, quando foi registrado 22%, em 2012, e 18%, em 2011. Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o reajuste menor é por causa da desaceleração da economia e da queda na arrecadação de receitas. O Fundeb é um fundo contábil e composto por uma cesta de impostos e transferências estaduais e municipais, e sua vigência se estende até 2020. Por lei, pelo menos 60% dos recursos do Fundeb devem ser usados para pagamento do salário dos professores e gestores educacionais.
“Não tem o mesmo impacto que a correção do ano passado, mas é um reajuste acima da inflação. O problema é que nós partimos de um patamar muito baixo de salário, R$ 1.567, é pouco mais que dois salários mínimos”, disse o ministro.