quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PSB REAGE E AMEAÇA DEIXAR O GOVERNO


RUMO A 2014

Em resposta ao que considera "ingerência" do PT em assuntos internos e tentativa de acuar Eduardo Campos, partido avalia aprovar resolução pela saída do ministério de Dilma

Publicado em 28/02/2013, às 05h22

Débora Duque

Eduardo estaria incomodado com o

Eduardo estaria incomodado com o "cerco" que Lula e Dilma estariam arquitetando

Cemílson Campos/JC Imagem

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB,) estuda reagir ao que considera ser um cerco do PT nacional ao seu projeto presidencial. As provocações públicas dirigidas pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSB), seu adversário dentro do partido, somadas às visitas que o ex-presidente Lula (PT) e presidente Dilma Rousseff (PT) farão ao Ceará, Estado governado por Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, estão sendo encaradas como uma tentativa aberta de intimidação para que Eduardo declare, desde já, se é candidato ou não em 2014. Como resposta, não está descartada uma medida extrema por parte do PSB: a entrega imediata dos cargos que o partido possui nos ministérios. 
Socialistas entendem que Lula quer tirar Eduardo da “zona de conforto” e forçá-lo a tomar uma posição antecipada, seja pelo apoio à reeleição de Dilma, seja pelo lançamento de sua candidatura à Presidência. A movimentação silenciosa dos petistas para tirar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), da legenda também é encarada como mais um elemento dessa ofensiva contra o PSB.
Com o entendimento de que a campanha eleitoral foi deflagrada, Eduardo está de olho nas próximas movimentações do PT e pode induzir seu partido, do qual é presidente nacional, a aprovar uma resolução favorável ao desembarque do governo federal. Caso o ministro Fernando Bezerra Coelho e o secretário nacional dos Portos, Leônidas Cristino, não sigam a possível orientação partidária, ambos só permaneceriam nos cargos como cota pessoal da presidente. Leônidas foi indicado pelo PSB do Ceará, comandado pelos irmãos Gomes.

Nos bastidores, socialistas alegam “desconforto” com as atitudes das lideranças petistas, a quem atribuem a articulação para que Ciro abrisse sua “metralhadora” contra Eduardo. No último fim de semana, o ex-ministro afirmou que o governador não possui “estrada” nem “visão de País” e defendeu que o partido apoie a reeleição de Dilma. Ao mesmo tempo, disse que se a legenda tem alguma pretensão de lançar uma candidatura própria, deve deixar, desde já, a base de apoio ao governo federal. 
Eduardo escalou figuras nacionais do PSB – como o líder da bancada socialista na Câmara Federal, Beto Albuquerque, e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral – para rebater publicamente as declarações de Ciro e, de quebra, enviar recados aos petistas. Blindado, sua intenção, porém, é deixar que o PT, sozinho, “estique a corda”. O governador não quer levar o crédito pelo futuro rompimento até para conseguir manter seu discurso de que não pretende antecipar o debate eleitoral.
Caso se confirme a saída do partido dos ministérios, Eduardo sustentará o argumento de que o PSB não ficou “confortável” com as investidas do PT e que sua legenda não “depende” de cargos. Ao mesmo tempo, terá caminho livre para enfatizar seu já crítico discurso ao governo federal e pavimentar seu voo em direção a uma candidatura ao Palácio do Planalto.

7ª MARCHA DAS CENTRAIS SINDICAIS E MOVIMENTOS SOCIAIS – EM 6 DE MARÇO, EM BRASÍLIA



25 DE FEVEREIRO DE 2013 5

cartaz-7-marcha-das-centrais-sindicais-e-movimentos-sociais

CTB se mobiliza nos estados para a 7ª Marcha das Centrais e dos Movimentos Sociais Marcha promete reunir dezenas de milhares de trabalhadores da cidade e do campo na Esplanada dos Ministérios.

A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – já está mobilizada para participar da 7ª Marcha das Centrais Sindicais e dos Movimentos Sociais no próximo dia 06 de março, em Brasília.

Organizada pela CTB, CGTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT, a marcha, que conta com apoio dos movimentos sociais e estudantil, promete reunir dezenas de milhares de trabalhadores da cidade e do campo na Esplanada dos Ministérios, com o propósito de entregar uma pauta de reivindicações ao governo federal, baseada na Agenda da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).

A intenção dos sindicalistas é entregar essa pauta diretamente à presidente Dilma Rousseff. Os representantes das centrais entendem que a data é pertinente, pelo fato de coincidir com as semanas iniciais dos trabalhos da Câmara Federal em 2013.

As estaduais da CTB estão empenhadas na mobilização e organização de grandes caravanas, que devem sair de todas as regiões do país. Segundo Wagner Gomes, presidente da CTB Nacional, a expectativa é de garantir a participação de trabalhadores das mais variadas categorias para reforçar a pauta da classe trabalhadora, com destaque para a luta em defesa do fim do fator previdenciário.

“Nós vamos participar da marcha com força total. Estamos organizando uma grande caravana composta por trabalhadores de diversas categorias de várias regiões do estado”, afirmou Onofre Gonçalves, presidente da CTB-SP.

Wagner Gomes disse que a Central já preparou suas bandeiras, faixas, cartazes, camisetas e adesivos para garantir visibilidade para a principal reivindicação dos trabalhadores.  “A 7ª Marcha será um momento importante para a classe trabalhadora. Por isso a necessidade de um maior empenho dos sindicalistas classistas para garantir uma ampla mobilização, capaz de sensibilizar os deputados para a importância da derrubada do fator previdenciário e para a pauta da classe trabalhadora, que tanto contribuí para a construção desse país”, conclui o presidente da CTB.

Fonte: Portal CTB

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CONHEÇA OS 20 SITES MAIS ACESSADOS DO MUNDO



Você saberia dizer qual o site mais acessado do mundo? A maior aposta é o site da Google, sem dúvidas. Mas ele não é o mais acessado.
O ranking da Comscore que publicou os 20 mais da internet no site da revista Business Insider, mostrou quais as páginas mais acessadas em todo o mundo por visitantes únicos/mês. Confira.

20º – AMAZON: O site de comércio eletrônico registra uma média de 163 milhões de usuários únicos por mês. Apesar da grande audiência, a empresa fundada em 1994 por Jeffrey Bezos registrou prejuízo de US$ 39 milhões em 2012.
19º – SINA: Quando foi lançado, em 1998, o portal era conhecido como o ‘Yahoo chinês’. Onze anos depois, a empresa lançou o microblog Weibo, o que aumentou ainda mais seu número de visitas. Hoje, o Sina registra 169 milhões de usuários únicos por mês.
18º – WORDPRESS: Foi oferecendo ferramentas simples para blogs e publicações que o WordPress chamou a atenção na internet. O site fechou o ano registrando 170,9 milhões de usuários únicos por mês.
17º APPLE: Em um mês, o site registra 171,7 milhões de usuários únicos. Apple.com é o domínio que qualquer usuário de iPhone, iPod e iPad precisa entrar para acessar a Apple Store. Além disso, é a página inicial do navegador Safari.
16º – SOHU: Fundado em 1997, foi o primeiro site de busca online da China. O Soju conta hoje com um portal de jogos e um serviço imobiliário que fazem seu número de usuários únicos chegar a 175,8 milhões.
15º – BING: O mecanismo de busca registra 218,4 milhões de usuários únicos por mês. Apesar dos esforços da Microsoft, o Bing ainda está longe de seu principal concorrente, o Google (que, é claro, também aparece nessa lista – só que mais à frente).
14º – TWITTER: Se tornou um site essencial para quem quer se atualizar. A presença de organizações, políticos e pessoas importantes ajudou a fazer da plataforma uma fonte de informações. Mensalmente, o Twitter recebe 189,8 milhões de usuários únicos.
13º – TAOBAO: Comércio eletrônico de roupas, acessórios, jóias, eletrônicos e até comida, o site é um dos maiores mercados online do mundo. Por mês, o Taobao recebe 207 milhões de visitantes únicos.
12º – ASK: Mecanismo de busca de perguntas e respostas, o Ask funciona com o sistema Google. Fundado por Garrett Gruener e David Warthen, o site hoje é propriedade da InterActiveCorp e atinge 218,4 milhões de visitantes únicos por mês.
11º – BLOGGER: Lançado em 1999 pelo Pyra Labs, foi uma das primeiras ferramentas para a publicação de blogs. Em 2003, foi comprado pelo Google e relançado com um novo visual. Hoje, o Blogger recebe 229,9 milhões de usuários únicos por mês.
10º – MSN: Lançado em 1995 (junto com o Windows 95), o MSN foi criado para ser provedor de serviços de internet da Microsoft. Hoje, ele reúne os sites e serviços oferecidos pela empresa, como o Hotmail, e registra a visita de 254,1 milhões de usuários únicos por mês.
9º – BAIDU: O mecanismo de busca é um dos mais populares na China, com 268,7 milhões de visitantes únicos por mês. Em 2012, surgiram rumores de que o Baidu iria comprar o Yahoo. O presidente da empresa, no entanto, negou os boatos.
8º – MICROSOFT: É a página onde o consumidor pode tirar dúvidas e baixar os produtos oferecidos pela Microsoft. Como a maior parte dos computadores possuem o sistema da empresa, não dá para estranhar os 271,7 milhões de usuários únicos por mês.
7º – QQ: A Tencent, companhia por trás deste portal, criou o serviço de mensagens instantâneas mais popular da China, o IM. O programa trouxe crescimento de audiência para os outros produtos da Tencent. O QQ recebe 284,1 milhões de visitantes únicos.
6º – LIVE: A Microsoft tornou dois de seus principais serviços, o Outlook e o Hotmail, acessíveis por meio do endereço Live.com. A página recebe por mês 389,5 milhões de usuários únicos.
5º – WIKIPEDIA: A maior parte das pessoas que acessam a Wikipedia chegam por meio do Google, já que a página responde quase todas as perguntas feitas no mecanismo de busca. São 469,6 milhões de usuários únicos por mês.
4º – YAHOO: A plataforma conecta o usuário a propriedades do Yahoo!, como o Yahoo! Finanças e o Flickr. Fundado em 1994, o portal recebe 469,9 milhões de visitantes únicos por mês.
3º – YOUTUBE: Em 2006, o Youtube foi comprado pelo Google, o que, definitivamente, deu mais força à plataforma de vídeos. Por mês, o endereço recebe 721,9 milhões de usuários únicos.
2º – GOOGLE: A Business Insider diz que é graças à velocidade e o design ‘clean’ que o Google se destacou dos outros sistemas de busca. Lançado em 1990, o domínio interage com 782,8 milhões de visitantes únicos por mês.
1º – FACEBOOK: A rede social que começou em um dormitório de Harvard, hoje já é acessada por 836,7 milhões de visitantes únicos e ocupa o primeiro lugar da lista.

NOVO PARTIDO DE MARINA SILVA VAI SE CHAMAR REDE SUSTENTABILIDADE


Partido foi lançado oficialmente neste sábado (16), em Brasília.

Ex-senadora disse que pode concorrer nas eleições de 2014.

Iara LemosDo G1, em Brasília
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Ex-senadora e atual vereadora de Maceió, Heloísa Helena (PSOL) participa de lançamento de partido ao lado de Marina Silva (Foto: Iara Lemos/ G1)Ex-senadora e atual vereadora de Maceió, Heloísa Helena
(PSOL) participa de lançamento de partido ao lado de
Marina Silva (Foto: Iara Lemos/ G1)
O novo partido fundado pela ex-senadora Marina Silva teve seu nome aclamado por militantes no começo da tarde deste sábado (16). Batizado de Rede Sustentabilidade, a nova legenda deve disputar a sua primeira eleição já em 2014. A palavra que será usada nas urnas, segundo os fundadores do partido, será Rede.

O nome do partido foi anunciado pela própria Marina Silva. A escolha se deu com base em sugestões feitas por militantes na internet. O lançamento oficial da legenda ocorreu em um evento realizado neste sábado, em Brasília.
"O nome é uma coisa muito importante porque é isto que vai constituir o nosso significado", disse Marina.
Antes de anunciar o nome do partido, Marina e outros integrantes da coordenação geral do Rede Sustentabilidade fizeram uma serie de discursos reforçando o programa da nova legenda. Segundo Marina, o novo partido não se enquadra nos conceitos de situação nem de oposição, mas terá posições formadas.
"Não somos oposição nem situação a Dilma (...) Precisamos de pessoas que tenham posição formada. Se a presidente Dilma fizer algo bom pelo Brasil, nossa posição será favorável. Se fizer algo contra o Código Florestal, nossa posição será contrária", disse.


Candidatura
Marina não descartou a possibilidade de voltar a concorrer à Presidência, nas eleições de 2014. Em 2010, a ex-senadora disputou o cargo pelo Partido Verde (PV).
"Obviamente, encaro a possibilidade da minha candidatura mas, como é uma Rede, encaramos a possibilidade de outra candidatura", disse. Ela afirmou, porém, que não acredita na possibilidade de repetir em 2014 os cerca de 20 milhões de votos recebidos em 2010.
"Eu acredito na política como um processo vivo. Não temos como repetir 2010. Foi um momento único na minha vida (...) Pode ser mais, pode ser menos", disse.

Em discurso inflamado durante o evento de lançamento do novo partido, a também ex-senadora e hoje vereadora em Maceió (AL), Heloísa Helena (PSOL), manifestou apoio à candidatura de Marina Silva para a disputa da Presidência da República em 2014.
"Eu quero ter a honra, e por mais que a Marina não goste que eu fale, eu quero ter a honra de vê-la disputando a Presidência em 2014", disse Heloísa, enquanto os militantes gritavam "política urgente, Marina presidente".

Rede e o PT
Marina Silva afirmou que a criação do novo partido se assemelha à fundação do PT, no começo dos anos 80. Segundo ela, alguns militantes que defendem a criação da nova legenda devem permanecer nos seus partidos.
"Será um erro muito grande se deixarmos de nos identificar como movimento. Têm pessoas do movimento que vão continuar no PV, no PT, no PSDB (...) Vamos continuar sendo um movimento", disse.
O deputado federal Walter Feldman, que foi um dos fundadores do PSDB, anunciou que irá migrar para o novo partido. "Depois de muito pensar, sem nenhuma dúvida, sem nenhum conflito, eu que fui um dos fundadores do PSDB, encerro um ciclo", disse.
O deputado federal Domingos Dutra, que foi um dos fundadores do PT, também afirmou que vai integrar o novo partido. "Após 33 anos de PT, estou aqui para fazer uma nova política", disse.
Estatuto
As regras que vão nortear o novo partido também foram debatidas no encontro. O estatuto vai determinar que o partido não vai aceitar doações financeiras que venham de Indústrias de armas, bebidas alcoólicas e de agrotóxicos. Também será estabelecido um teto para doações feitas por pessoas físicas e jurídicas que queiram colaborar com a legenda.
O limite de valor das doações, segundo os organizadores, será definido pela coordenação nacional da legenda, que será escolhida assim que o partido for oficializado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O objetivo do partido é que as doações sejam feitas basicamente pela internet, seguindo o mesmo modelo utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a campanha eleitoral.
O estatuto do novo partido também prevê a realização de prévias para a escolha dos candidatos que vão disputar eleições pela legenda.
Suplicy
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), único senador presente no evento, disse, ao discursar, que se sente tentado a entrar no novo partido. Ele afirmou, porém, que tem compromisso com o PT e que não tem intenção de deixar o partido.
"Isso (filiação) precisa ser com calma. Tenho razões para lhes dizer: eu sou do PT, fico super honrado e tentado a cair na Rede, mas eu tenho um compromisso sim, enquanto o PT estiver com as portas abertas para propostas como esta", disse.
Suplicy foi o primeiro a assinar o documento que pede a criação do novo partido. A assinatura foi colocada no documento sob os gritos dos militantes que clamavam "Suplicy, vem para a rede, vem". Ao todo, os militantes precisam coletar 500 mil assinaturas para requerer o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para que o partido possa concorrer na próxima eleição, o registro precisa ser feito até outubro deste ano.
"Ele colocou o nome para nos ajudar a pedir a criação do novo partido. Não está se filiando à Rede", disse Marina Silva.
Em seu discurso, Suplicy defendeu bandeiras que constam do estatuto do novo partido, como a realização de prévias para a escolha de candidatos e a transparência das doações feitas para as campanhas políticas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

FALEM MAL, MAS FALEM DE MIM


Falem mal, mas falem de mim

“O Príncipe”, escrito há 500 anos, ainda é uma leitura que vale a pena. A alta dose de realismo oferecida por Maquiavel não deixa de ser um ingrediente básico para qualquer nova utopia política.

Há 500 anos (1513), Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu “O Príncipe”. O livro passou de proscrito a célebre. Seu autor, de renegado, passou a ser reverenciado, com direito a estátua na “Galleria degli Uffizi” (Galeria dos Ofícios), em sua cidade natal. Mais do que relembrar a ocasião do quingentésimo aniversário, é bom entender como o maquiavelismo eternizou Maquiavel.

“O Príncipe” não era um livro propriamente dito. Era um manuscrito. Livros eram ainda coisa rara e cara, em uma época em que a palavra impressa engatinhava e poucos sabiam ler. Não era destinado ao público em geral, mas a uma pessoa em particular, o governante de Florença, Lorenzo, chefe dos Médici, rica e poderosa família que havia retomado o domínio sobre a cidade, afastado seus adversários, dado fim à república e iniciado uma espécie de principado. Aproveitando a oportunidade, Maquiavel escreve sobre principados. Lorenzo di Piero de Medici era neto do Lorenzo a quem se conhecia como “O Magnífico”. Maquiavel não se fez de rogado e conferiu a mesma magnificência ao neto, o que ainda hoje dá margem a confusões sobre a qual dos Lorenzos ele se referia.

Maquiavel havia caído em desgraça. Por conta de seu anterior papel político proeminente de Segundo Chanceler daquela cidade-estado, sua figura estava nublada pela desconfiança. No cargo diplomático, ele era um informante e um negociador de conflitos e interesses decisivos. “O Príncipe” era uma carta de intenções pela qual Maquiavel mostrava suas credenciais de conselheiro qualificado e sua missão de servir ao poder. 

Naquele momento, era improvável que Maquiavel ganhasse qualquer projeção maior que a de alguns de seus ilustres conterrâneos. Como literato, nunca seria um Dante, o autor de “A Divina Comédia”. Entre seus contemporâneos, havia o célebre Amerigo Vespucci, aquele que desfez a ideia de que as terras achadas por Cristóvão Colombo seriam as costas da Ásia, sendo na verdade um Novo Mundo - descoberta que renderia a “Américo” a homenagem de ter seu nome associado ao novo continente, a América. Maquiavel, ao contrário, arrastava-se para ser reabilitado. 

“O Príncipe” só se tornaria público em 1532, quando seu autor já estava morto. Não tardaria a se tornar um livro proibido pela Igreja Católica, entrando para o “Index Librorum Prohibitorum” (“Índice dos Livros Proibidos”). Maquiavel atribuía a Roma e ao Papa uma péssima influência sobre a Península Itálica, um fator de divisão, e citava o Papa Alexandre VI (Rodrigo Bórgia) como “exemplo” de como o baluarte da moral e dos bons costumes era capaz de usar a violência, o dinheiro e a manipulação para manter-se no poder. 

“O Príncipe” sequer é a obra melhor estruturada de Maquiavel, comparada aos "Comentários" (“Discorsi”) que fez tendo por pano de fundo a história da República Romana (baseada no relato do historiador romano Tito Lívio), que, mesmo incompleto, se revela um tratado bem mais sistemático sobre a política.

Hoje, Maquiavel é mais conhecido do que Dante e Vespúcio. O feitiço agraciou o feiticeiro. A fama de proibido o ajudou a tornar-se popular, assim como seu sentido mais prático e menos erudito. Seu desvendamento dos métodos usuais da política tornou o livro obrigatório para a direita e a esquerda, para liberais e marxistas. A análise crua e dura tecida a respeito dos poderosos passou a ser um guia obrigatoriamente reconhecido pelos próprios poderosos e pelos que ousavam combatê-los. Napoleão leu “O Príncipe”, e suas anotações aparecem publicadas em uma edição muito popular nas bancas de jornais e revistas. Revolucionários, de Rousseau a Gramsci, atribuíram a Maquiavel revelar segredos que até então permaneciam entre quatro paredes. 

A certidão de nascimento da ciência da política
Para além da fama, a grande questão é a de saber se Maquiavel permanece ou não atual. Pelo menos três atributos essenciais ajudaram à sua sobrevida.

O primeiro é que a obra maquiavélica contribuiu para que a política passasse a ser tratada como um objeto de investigação específica. “O Príncipe” acabou se tornando a certidão de nascimento de uma ciência da política. Gregos e romanos também têm obras fundamentais, mas sua política era indistinta da vida social (a “polis”) e pensada como um assunto da Filosofia e da História, e não como uma disciplina autônoma. Maquiavel tem uma visão filosófica e histórica, mas por suas mãos a política ganhou vida própria e regras particulares. Como renascentista, ele resgatou a tradição clássica, mas criou algo novo. 

Seu grande embate não era com os clássicos, e sim com seus contemporâneos, principalmente, com o moralismo e a pregação religiosa. Os mandamentos de “não roubar”, “não matar”, “não usar o santo nome em vão”, “não levantar falso testemunho” (não mentir) eram bons para a imagem, mas não eram as regras da política. Aliás, tais mandamentos eram descumpridos por todos na luta pelo poder, a começar pela própria Igreja. 

Em geral, se tem a ideia errônea de que Maquiavel prioriza os métodos cruéis, ardilosos, infames – e todos os demais adjetivos encontrados como qualificativos de “maquiavélico”, em qualquer dicionário. O pensador florentino deixava claro que eles eram usuais daquela época, dispensando sua recomendação. Cita inúmeros exemplos a esse respeito. Na verdade, propõe comedimento e se esforça por dizer que tais métodos não deveriam ser utilizados indiscriminadamente, pois poderiam se mostrar contraproducentes. Mesmo a violência tinha regras e deveria aguardar por sua ocasião.

Em um momento em que todos os poderosos e aspirantes a poderosos se comportavam como leões, até os Papas (o de 1513, por coincidência, se chamava Leão X), ele dizia que as ocasiões muitas vezes requeriam raposas. Portanto, menos violência e mais astúcia. Para a barbárie das disputas políticas da época, o livro tinha até um papel civilizatório.

Os fins e os meios
Em “O Príncipe”, não existe a frase de que os fins justificam os meios. Nem existe a ideia de que qualquer meio serve para se chegar à vitória. Maquiavel fez uma lista de recomendações sobre os métodos e apontou que alguns tinham um alto custo para o governante e poderiam gerar um ódio generalizado contra sua pessoa. Sendo assim, deveriam ser evitados, pois levariam à ruína, e não à glória. 

É mais apropriado dizer que, para Maquiavel, o critério de certo e errado, na política, é o êxito. Não é o vale tudo. Se os métodos empregados não permitem chegar e se manter no poder, não são bons métodos. 

“Trate o príncipe, pois, de vencer e conservar o Estado. Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por todos”. 

É esta última frase que deu origem à interpretação de que os fins justificam os meios. Interpretação errada. Para Maquiavel, o meio empregado faz toda a diferença para a vitória ou a derrota. É o emprego correto dos meios que ele define como virtude (“virtú”) na política. Fazer a coisa certa no momento certo (a “fortuna”, ou oportunidade) daria ao príncipe um destino grandioso.

Outro atributo importante do livro foi ter cravado o conceito de Estado e ter estabelecido uma distinção que, por muito tempo, foi decisiva para explicar grandes diferenças entre regimes políticos. “O Príncipe” abria suas explicações dizendo que, até então, todos os Estados (com maiúsculas) tinham sido ou repúblicas ou monarquias (principados). Depois que as monarquias foram derrubadas ou amainadas pela constitucionalização de seus poderes, a distinção entre presidencialismo e parlamentarismo passou a ser a mais usual.

O terceiro atributo genial de “O Príncipe” foi ter sido pioneiro na análise do poder como exercício da representação. A permanência no poder dependia de que o líder fosse a encarnação de uma vontade coletiva. Só conquistaria grandeza se seus projetos fossem ousados o suficiente para angariar respaldo entre suas elites e, mais relevante, apoio popular, inclusive contra elites que abrigavam seus adversários em potencial. “O mundo é formado por pessoas comuns”, dizia. É essa dimensão que deu a Maquiavel certa imagem de pensador democrático. Ele foi resgatado por Rousseau, no século XVIII, como aquele que ensinou ao povo como os príncipes governavam e que expôs a perversidade por trás do absolutismo.

A atualidade de Maquiavel
O que permanece atual em Maquiavel é sua compreensão realista da política. Sua lição fundamental é a de que o ofício do cientista político é o de desvendar. Para tanto, é preciso identificar os atores em disputa, apontar seus métodos de ação, evidenciar o papel e a orientação dada por suas lideranças políticas, desnudar os interesses envolvidos. 

O pensador de Florença proporciona uma visão dinâmica do poder. O resultado da ação política depende não só da posição e dos recursos dos grupos sociais em luta, mas da correção das decisões tomadas por atores centrais e da reação que elas desencadeiam. 

O povo reaparece em Maquiavel como o ator político fundamental, em torno do qual orbitam todos os demais. A sorte (ou “fortuna”) dos contendores depende de sua capacidade de dar voz e sentido de Estado às aspirações populares. 

Podemos ainda nos servir de Maquiavel para apostar que toda crise aguda de regime é acompanhada de um processo de desmascaramento da velha política. Métodos perversos, bastante conhecidos, passam a gerar estranhamento e revolta popular quando seus resultados se mostram pífios e incapazes de garantir adesão em larga escala. 

A alta dose de realismo oferecida por Maquiavel não deixa de ser um ingrediente básico para qualquer nova utopia política. Por isso, “O Príncipe”, 500 anos depois, ainda é uma leitura que vale a pena.



Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

" SENSAÇÃO AGRIDOCE, DIZ BLOGUEIRA CUBANA YOANI AO CHEGAR EM RECIFE




Yoani Sanchéz chegou em voo vindo do Panamá; grupo fez protesto.
Brasil é a primeira parada da blogueira, que vai passar 80 dias viajando.

Katherine CoutinhoDo G1 PE
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Na chegada ao Brasil, Yoani foi recebida por diversos jornalistas no aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife (Foto: Katherine Coutinho/G1)Na chegada ao Brasil, Yoani foi recebida por diversos jornalistas no aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Foram seis anos e 20 recusas, mas a blogueira cubana Yoani Sanchéz conseguiu finalmente realizar o sonho de voltar a viajar para fora de seu país. Era quase 1h desta segunda-feira (18) quando Yoani desembarcou no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, sendo recepcionada pelo amigo e cineasta baiano Dado Galvão.
Além do carinho dos amigos e do assédio de jornalistas, Yoani foi recebida também com um protesto, sendo acusada pelo grupo de manifestantes de "trair o movimento", receber dinheiro americano para ser revolucionária, além de ter uma conta milionária. "Viva a democracia, quero também essa democracia no meu país", respondeu a cubana.
A blogueira, que é uma das principais vozes de oposição ao regime atualmente comandado por Raúl Castro, conseguiu viajar depois que o governo cubano extinguiu a exigência de permissão para a saída da população do país. A mudança entrou em vigor em 14 de janeiro; ela recebeu seu novo passaporte no dia 30 de janeiro.
No aeroporto, grupo protestou acusando a blogueira de receber dinheiro americano para ser revolucionária (Foto: Katherine Coutinho/G1)
No aeroporto, grupo protestou acusando a
blogueira de receber dinheiro americano para ser
revolucionária (Foto: Katherine Coutinho/G1)
"Estou muito feliz, foram cinco anos de luta, de tentar por todos os caminhos. Tenho essa sensação agridoce, estou feliz por mim, mas também tenho amigos que não conseguiram o passaporte. A reforma migratória trouxe alguma flexibilidade, simplificou muitas coisas, mas tenho amigos que tiveram negado o passaporte", contou.
Apesar de todas as negativas, Yoani disse que não desistiu. "Espero agora que outros amigos meus possam conseguir também o passaporte. Quando recebi meu passaporte senti alegria, mas senti também cansaço pela longa luta que foi para chegar até aqui", relembrou.
Segundo ela, os últimos dias foram de correria. "Foram duas semanas que dormi muito pouco, mas com muita energia. Tinha muitas coisas para preparar, o roteiro da viagem para elaborar", afirmou Yoani. A primeira parada tinha de ser o Brasil, ressaltou a blogueira. "Os brasileiros foram os que mais insistiram, apelaram de todas as maneiras. Além disso, muitas pessoas acompanham meu blog e a conta no Twitter. Por todas essas coisas, sentia que o primeiro abraço tinha de ser nos brasileiros. Foi o país que mais se esforçou para me tirar de meu exílio insular", afirmou.
Apesar das mudanças no governo, como a reforma migratória, Yoani disse que a liberdade de expressão ainda não encontrou espaço. "Lamentavelmente, em Cuba, é penalizado pensar diferente. Opinar contra o governo traz consequências nefastas, prisão arbitrária, vigilância. Inclusive fico um pouco preocupada, deixo amigos e família. Sempre fico preocupada, mas espero não receber más notícias. Porém, vemos alguns avanços nos direitos", apontou a blogueira.
Blogueira participa de entrevista logo após chegar de voo que saiu do Panamá (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Blogueira participa de entrevista logo após chegar
de voo que saiu do Panamá
(Foto: Katherine Coutinho/G1)
Questionada sobre a possibilidade de ser barrada na volta a Cuba, Yoani foi taxativa: "É melhor que não tentem. É possível, mas não creio, por que seria uma violação legal das leis internacionais". "Quero ficar em Cuba, ajudar os cubanos. Não quero ser uma Yoani Sanchéz migrante em outro país", afirmou.
Sobre as transformações em Cuba, Yoani disse acreditar em avanços parciais. "Existe uma diferença entre a reforma sonhada e a reforma possível. A reforma possível, que é a que o governo de Raul Castro parece estar seguindo, é a de que possamos comprar um carro novo em vez de um usado, comprar alguns produtos que não eram possíveis. Porém, a reforma sonhada, que é a da liberdade de associação, de expressão, não parece que vamos conseguir tão cedo", disse a blogueira.
O cineasta Dado Galvão disse que estava ansioso para comemorar a vinda de Yoani com a blogueira. "Prometi a ela, quando estive em Cuba em dezembro de 2009, que a ajudaria. Vamos celebrar o direito de ir e vir com cinema, solidariedade e perseverança. Já tinhamos feito o convite quatro vezes para lançar o filme e, a cada negativa, cancelávamos a estreia, pois víamos como uma forma de pressionar para trazê-la", afirmou o cineasta.
Reconhecimento
Uma das coisas que chamaram a atenção de Yoani durante a viagem foi ser reconhecida por outras pessoas no avião e no aeroporto do Panamá. "Pessoas de diferentes nacionalidades me reconheciam, sabiam da minha luta, da importância da minha viagem, me diziam palavras de ânimo e de alegria", contou.

Roteiro
Além do Brasil, a blogueira irá também para a República Tcheca, Espanha, México, Estados Unidos e Holanda. Do Recife, Yoani segue em um voo para Salvador, de onde viaja de carro para Feira de Santana. A ativista vai descansar durante o dia e, à noite, participará da exibição do documentário 'Conexão Cuba - Honduras', de Dado Galvão, no qual ela é uma das entrevistadas.

Na terça-feira (19), Yoani concede entrevista coletiva em Feira de Santana e também participa de uma sessão de autógrafos de seu livro "De Cuba com carinho", além de um debate sobre liberdade de expressão e direitos humanos. Na quarta-feira (20), Yoani deve conhecer Salvador e depois deve embarcar rumo a São Paulo.

SOBRE O PISO DOS PROFESSORES



Todos os estados devem pagar o piso básico dos professores?
Quais os obstáculos para pagá-lo?
Postado por Emir Sader às 07:21

rogerio krieger diz:
08/02/2013
PAGAR O PISO DOS PROFESSORES NO BRASIL É LEI FEDERAL....o governo federal não repassa as verbas necessárias que os estados necessitam para se complementarem e então muitos não podem ou não querem pagar o piso nao sei ao certo se tem realmente alguém que cumpra alei...caso contrário ela é nula ou inócua pois não é pago o piso em muitos lugares inclusive já foram aprovadas outras leis superiores ou inferiores não sei ao certo ,só sei que sou casado com uma professora e minha mãe também professora ganham uma miséria e hoje o custo de vida em janeiro bateu a poupança,pois ele tá na faixa dos o.5% e a inflação de janeiro bateu 0.86%...PISO JÁ ou nunca mais,ou então derruba-se esta lei e os profe e as prof e todos aposentados prof ou professoras tem que MORRER AMINGUA...saudações rogerio krieger
Andre diz:
07/02/2013
Salario inicial de um promeotor em SP : R$22 mil

salario incial de um professor em SP : menos de R$ 2 mil

Quais as razões desta estúpida diferença?

O mesmo acontece com o policial que arrisca a vida nas ruas.
Vidas insalubres.
Lúcia Adélia Fernandes diz:
07/02/2013
Não tem obstáculo nenhum, todos os 
estados devem pagar.
Franco Atirador diz:
07/02/2013
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Editorial do Programa Educação em Debate

Coordenação Sindicato – APEOC*

Não basta somente o piso nacional de salário dos professores da Educação Básica. A educação e educadores na rede pública de ensino necessitam de muito mais. Necessitam de políticas públicas definitivas pelo Estado Federativo e não pelos governantes transitórios.

A Educação Básica não deveria ser responsabilidade de Estados e Municípios, e, somente ter, como coadjuvante, a União em casos de comprovada necessidade, a exemplo do fazer complementações financeiras, através do FUNDEB, para pagamento de salários dos profissionais educadores. A Educação Básica necessita de um projeto nacional de federalização do ensino e de salário.

Com a federalização do ensino sobe a responsabilidade do Ministério da Educação, as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação participariam como órgãos auxiliares na execução desse projeto nacional, sem diversificação de conteúdo pedagógico, ou seja, com ensino igualitário em todo o país. Portanto, sem diferença de um ensino ofertado no Sul ou Norte. Essa federalização seria e será fundamental ao equilíbrio no aprendizado de todos os brasileiros na escola pública.

A federalização dos salários de professores da Educação Básica, que hoje reúne educação infantil e ensinos, fundamental e médio, proporcionaria à criação de políticas públicas definitivas sobre salário e carreira funcional no magistério, do nível inicial ao final de carreira em todos os municípios brasileiros. Isto poderia e pode ser implantado em médio prazo, com salários dignos e professores selecionados através de concursos públicos, de provas e títulos, num prazo máximo de 10 a 15 anos.

A federalização salarial já ocorre em diversas categorias de servidores públicos, na Polícia Federal, no Banco do Brasil, no Poder Judiciário e nas Forças Armadas. Não há diferença de salário. Todos percebem igualmente e independente do domicílio residencial, do nível inicial ao final de carreira. Então porque não dar certo no Magistério da Educação Básica?

O Sindicato – APEOC levanta esta bandeira de luta em defesa da Educação Básica e dos seus educadores, prometendo defender com a CNTE, em âmbito nacional, a aprovação de um projeto que trate da federalização da Educação Básica. E o momento é este, quando das discussões do novo Plano Nacional da Educação que hoje tramita no Congresso Nacional.

A bandeira é dos educadores cearenses e dos que defendem a Educação como prioridade nacional de governo.

Federalizar a Educação Básica é pensar num Brasil desenvolvido e com bem-estar social. A Educação é a única coluna desse novo Brasil que surge no horizonte.

*APEOC = Sindicato dos Professores e Servidores em Educação do Estado do Ceará

http://www.apeoc.org.br/nossa-opiniao/4632-federalizacao-da-educacao-basica-deve-ser-prioridade-de-governo.html