quinta-feira, 21 de julho de 2011

FESTIVAL DE INVERNO DE LENÇÓIS

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A belíssima cidade histórica de Lençóis será palco de mais uma edição do Festival de Inverno na Chapada Diamantina. O 13º Festival de Lençóis acontecerá no período de 25 a 28 de agosto e trará importantes nomes da música brasileira. Artistas famosos como Flávio Venturinni, Sandra de Sá e Erasmo Carlos são as atrações principais do evento. Veja abaixo a programação artística.

Além das atrações musicais, o Festival de Lençóis reúne uma série de atividades educativas como oficinas de Dança, Artesanato, dentre outras.

ATRAÇÕES

Quinta-feira 25/08
Philarmônica de Lençóis
Flávio Venturini
Mucambo
Trilheiros

Sexta-feira  26-08
Grupo Chorinho “Labuta”
Vaqueiros Literários
Sandra de Sá
Mametto

Sábado 27/08
Grãos de Luz e Griô
Erasmo Carlos
Magary
Zion


segunda-feira, 18 de julho de 2011

PSICOLOGIA E DESENVOLVIMENTO: UMA ABORDAGEM SÓCIO-INTERACIONISTA NO CONTEXTO ESCOLAR

João Alfredo Carrara

“É a reflexão que nos fará ver a consistência até de nossa própria conceituação, e que, articulada a nossa ação, estará permanentemente transformando o processo social, o processo educativo, em busca de uma significação mais profunda para a vida e para o trabalho” (Terezinha Azeredo Rios, 1977- p.67)

         Ao ler Vygostsky, observa-se que o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é, “um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (OLIVEIRA, 1993 – p. 33). É o aprendizado que possibilita o despertar de processos internos de desenvolvimento que, não fosse o contato do indivíduo com certo ambiente cultural, não ocorreriam.

         Aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. Inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo – incluindo sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre as pessoas. O desenvolvimento fica impedido de ocorrer na falta de situações propícias ao aprendizado.

         O ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é fundamental para o seu desenvolvimento. Haja vista os registros históricos sobre o ‘menino selvagem de Aveyron’, ‘Kasper Hauser’ e o mais famoso de todos – o caso das ‘meninas-lobo da Índia’, não sorriam, andavam como quadrúpedes, uivavam para a lua e sua visão era melhor à noite do que durante o dia. Vê-se, portanto, que sem contato humano não se consegue ser humano de fato; o homem só pode ser homem se viver em sociedade. Vygotsky afirma que “ao mesmo tempo em que o ser humano transforma o seu meio para atender suas necessidades básicas, transforma-se a si mesmo”.

         Para ser considerada como possuidora de certa habilidade, a criança tem que demonstrar que pode cumprir a tarefa sem nenhum tipo de ajuda. Vygotsky denomina essa capacidade de realizar tarefas de forma independente de nível de desenvolvimento real (NDR). Refere-se a etapas já alcançadas, como resultado de processos de desenvolvimento já completados.

         Chama a atenção para o fato de que para compreender adequadamente o desenvolvimento devemos considerar não apenas o nível real da criança, mas também seu nível de desenvolvimento potencial (NDP) – a capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de colegas mais capazes.

         Essa possibilidade de alteração no desempenho de uma pessoa pela interferência de outra é fundamental na teoria de Vygotsky. Não é qualquer indivíduo que pode, a partir da ajuda do outro, realizar qualquer tarefa. A capacidade de se beneficiar de uma colaboração de outra pessoa vai ocorrer num certo nível de desenvolvimento, mas não antes da mediação do educador, seja ele de qual natureza for. Ele atribui importância extrema à interação social no processo de construção das funções psicológicas humanas. O desenvolvimento individual se dá num ambiente social determinado e a relação com o outro, nas diversas esferas e níveis da atividade humana, é essencial para o processo de construção do ser psicológico individual (OLIVEIRA, 1993).

         A partir da existência desses dois níveis de desenvolvimento, Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) como “a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes” (VYGOTSKY, 1987 – p. 22).

         Pode-se ilustrar essas etapas, estabelecendo-se a relação com o esquema abaixo.
Desenvolvimento em espiral: a criança traz à tona suas potencialidades, a partir de estímulos externos e da motivação.


  O traço contínuo representa aquilo que a criança é capaz de fazer por si só (NDR);
  O tracejado, por sua vez, representa uma determinada tarefa que a criança é capaz de realizar, desde que mediada e estimulada adequadamente (ZDP);
  O zig-zag representa, nesse momento do desenvolvimento, algo que a criança é incapaz de   fazê-lo, mesmo com auxílio de outrem.                 


Após essa ilustração, é importante que se visualize o que acontecerá com essa figura, a partir do momento em que a criança construiu o seu conhecimento, mediado pelo grupo e/ou educador:

 

Note que, o que anteriormente caracterizou-se por ZDP passa a integrar o NDR, demonstrando que houve aprendizado e que a criança está pronta para avançar mais uma etapa. E, assim, sucessivamente em todas as fases de seu desenvolvimento, em todas as áreas do conhecimento.

É na zona de desenvolvimento proximal que a interferência de outros indivíduos é a mais transformadora. É aí que reside o grande desafio daquele que ensina. “Só se beneficiará do auxílio na tarefa de amarrar sapatos a criança que ainda não aprendeu bem a fazê-lo, mas já desencadeou o processo de desenvolvimento dessa habilidade”  (VYGOTSKY et al, 1988 – p. 112).
         Se o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, então a escola tem um papel essencial na construção do ser psicológico adulto dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas. Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando, conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas.

         O processo de ensino-aprendizado na escola deve ser construído, tomando como ponto de partida o nível de desenvolvimento real da criança e como ponto de chegada os objetivos estabelecidos pela escola, supostamente adequados à faixa etária e ao nível de conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. O percurso a ser seguido estará balizado pelas possibilidades das crianças.

         De acordo com Vygotsky “a escola tem o papel de fazer a criança avançar em sua compreensão de mundo a partir de seu desenvolvimento já consolidado e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas”. Por sua vez, “o professor tem o explícito papel de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (REGO, 1999, p. 85) .

         O aluno só conseguirá atingir um nível de abstração em Matemática, por exemplo, se anteriormente ele foi estimulado com operações concretas, como o uso do ábaco, do material dourado, dos palitos de sorvete, das pedrinhas, das barrinhas de Cursinaire, entre tantos. Valemo-nos, mais uma vez, das contribuições de Vygotsty (1987 – p. 31) - “o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento” .

         Ao ensinar/educar as crianças, o adulto deverá, ainda, utilizar sempre um vocabulário vasto, além de usar nomenclaturas corretas e dar explicações coerentes, que satisfaçam o grau de desenvolvimento delas. Tornando mais claro, se um professor que trabalha com crianças de quatro anos fazer uso contínuo de diminutivos, certamente elas assim o farão; falarão como o modelo apresentado. Mas, em outro exemplo, se alguém disser às crianças que a gripe é causada por um vírus e lhes der uma explicação plausível sobre o que é ‘isso’, elas sairão, no final de cada processo, de cada momento de ensino-aprendizagem, mais bem preparadas, com um vocabulário mais rico e, certamente, não falarão à outra pessoa que a gripe é causada por uns ‘bichinhos’...

Vygotsky enfatiza o papel da intervenção no desenvolvimento, porém o seu objetivo maior é trabalhar com a importância do meio cultural e das relações entre indivíduos na definição de um percurso de desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia diretiva, autoritária. Trabalha com a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe são transmitidos pelo grupo cultural. Imitação, para ele, é uma reconstrução individual daquilo que é observado nos outros.
        
Ele não toma a atividade imitativa como um processo mecânico, mas sim como uma oportunidade de a criança realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, o que contribuiria para seu desenvolvimento. Ao imitar a escrita de um adulto, a criança está promovendo o amadurecimento de processos de desenvolvimento que a levarão ao aprendizado da escrita. Quando uma criança de três ou quatro anos imita um adulto utilizando-se da garatuja ou dos rabiscos contínuos, na tentativa de se comunicar via escrita, ela está tentando imitar a letra cursiva do adulto/modelo. Isso significa que está sendo, portanto, estimulada pelo meio e, após alcançar o NDP, assim o fará, se bem estimulada. Não se pode esquecer que todo esse mecanismo está intrinsecamente ligado e, ao mesmo tempo, se inter-relacionando com a maturidade do sistema nervoso central. É preciso que tal sistema esteja amadurecido. Segundo alguns autores é por essa razão que a criança deve ser alfabetizada com sete anos.
        
A interação entre alunos também provoca intervenções no desenvolvimento das crianças. Ao propor uma atividade em grupo, o professor deve ter como objetivos, além dos específicos, a expectativa de que a ajuda mútua, as discussões, os levantamentos de hipóteses, sejam momentos de grande aprendizado.
        
Se o professor, por exemplo, dá uma tarefa individual aos alunos em sala de aula, a troca de informações e de estratégias entre as crianças não deve ser considerada como procedimento errado, pois pode tornar a tarefa um projeto coletivo extremamente produtivo para cada criança.
        
Quando um aluno recorre ao professor como fonte de informação para ajudá-lo a resolver algum tipo de problema escolar, não está burlando as regras do aprendizado, mas ao contrário, utilizando-se de recursos legítimos para promover seu próprio desenvolvimento. E uma das melhores formas de o professor ajudá-lo é propondo algo que o faça buscar uma resposta. Por exemplo, se um aluno lhe pergunta se ‘benefício’ escreve-se com c, ç, s ou ss, o professor pode, juntamente com ele, buscar a resposta num dicionário. Ou pode propor um desafio para grupos de crianças, oferecendo-lhes uma lista com palavras para trabalharem e criarem regras ortográficas, fazendo-as defrontar-se com o problema. Outro exemplo disso está na construção de regras ortográficas (m antes de p e b, p.ex.). O professor pode, a partir de um determinado texto que se esteja trabalhando em sala ou uma história que a criança goste, solicitar para que procurem neste escrito todas as palavras que possuem as letras m e n, sugerindo que grife uma de azul e a outra de vermelha. Após este levantamento realizado individualmente, pode-se reunir grupos para discutir quando essas letras aparecem precedidas por consoantes e solicitar que levantem hipóteses, que estabeleçam uma relação entre as palavras escritas com tais letras. O professor, após algum tempo, ouve as exposições dos grupos, anota no quadro as hipóteses e, juntamente com o grupo chega à conclusão: construiu-se a regra – m se usa antes de p e b.
        
Qualquer modalidade de interação social, quando integrada num contexto realmente voltado para a promoção do aprendizado e do desenvolvimento, poderá ser utilizada, portanto, de forma produtiva na situação escolar. Essa intervenção é feita no sentido de desafiar o sujeito, de questionar suas respostas, para observar como a interferência de outra pessoa afeta seu desempenho e, sobretudo, para observar seus processos psicológicos em transformação e não apenas os resultados de seu desempenho (OLIVEIRA, 1993).
        
A situação escolar deve estar bastante estruturada e explicitamente comprometida com a promoção de processos de aprendizado e desenvolvimento: neste contexto, entram os brinquedos e os jogos, outros domínios da atividade infantil que têm relações com o desenvolvimento. Eles criam uma zona de desenvolvimento proximal na criança. Daí o grande significado que têm para ela, os jogos simbólicos. Um, dentre tantos exemplos, é a brincadeira do faz-de-conta - privilegiada em sua discussão sobre o papel do brinquedo no desenvolvimento.“O comportamento das crianças é fortemente determinado pelas características das situações concretas em que elas se encontram” (OLIVEIRA, 1993 - 59).

         Vygotsky exemplifica a importância das situações concretas e a fusão que a criança pequena faz entre os elementos percebidos e o significado. Numa situação imaginária, entretanto, a criança é levada a agir num mundo imaginário, onde a situação é definida pelo significado estabelecido pela brincadeira e não pelos elementos reais concretamente presentes. Ao brincar com um tijolinho de madeira como se fosse um carrinho, por exemplo, a criança se relaciona com o significado em questão e não com o objeto concreto. O tijolinho serve como uma representação de uma realidade ausente – um jogo simbólico. O brinquedo provê, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados – preparando-a para uma nova etapa de seu desenvolvimento. Portanto, a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, tem nítida função pedagógica e psicológica (catalisação de conflitos, por exemplo).
        
Outra função extremamente importante da escola é a de criar espaços/condições para promover a leitura e a escrita. Vygotsky tem uma abordagem genética da escrita: preocupa-se com o processo de aquisição. Para compreender o desenvolvimento da escrita é necessário estudar o que ele chama de “a pré-história da linguagem escrita” – o que se passa com a criança antes de ser submetida a processos deliberados de alfabetização.
        
A principal condição necessária para que uma criança seja capaz de compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita é que ela descubra que a língua escrita é um sistema de signos que não tem significado em si (FERREIRO, 1988).
        
As crianças inicialmente imitam o formato da escrita de um adulto, produzindo apenas rabiscos mecânicos, sem nenhuma função instrumental; num nível mais avançado, elas continuam a fazer sinais sem relação com o conteúdo das sentenças faladas, passando por diferentes subníveis, até que consigam diferenciar os signos da escrita pelo conteúdo do que é dito. Neste ponto, a criança já descobriu a necessidade de trabalhar com marcas diferentes em sua escrita, que possam ser relacionadas com o conteúdo. Passa, então, para a utilização dos desenhos como forma de expressão individual. A partir desse momento, a criança passa à escrita simbólica. O próximo passo envolve o aprendizado da língua escrita propriamente dita – não um processo individual, mas que interage com a observação da vida cotidiana (OLIVEIRA, 1993). O mais importante é lembrar que se deve ensinar a linguagem escrita e não, simplesmente, a escrita das letras.
        
Outros aspectos devem ser contemplados para que o processo ensino-aprendizagem seja eficiente:
•A percepção – ao longo do desenvolvimento humano, a percepção torna-se cada vez mais um processo complexo. Ela age num sistema que envolve outras funções. Ao percebermos elementos do mundo real, fazemos inferências baseadas em conhecimentos adquiridos previamente e em informações sobre a situação presente, interpretando dados perceptuais à luz de outros conteúdos psicológicos.
“Percebo o objeto como um todo, como uma realidade completa, articulada e não como um amontoado de informações sensoriais” (VYGOTSKY, 1984 – p.42).
Eis aqui mais um momento privilegiado daquele que ensina: instigar a criança; ‘bombardeá-la’ de perguntas; pedir sua opinião sobre algo, o que favorece o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo, respeitando as suas limitações.
•A atenção – que vai sendo gradualmente submetida a processos de controle voluntário, em grande parte fundamentados na mediação simbólica.
•A memória –  uma importante função psicológica ao longo do desenvolvimento e com poderosa influência dos significados e da linguagem.

Diante do exposto, faz-se importante considerar o ensino como uma prática social específica, que se dá no interior de um processo de educação e que ocorre de maneira espontânea ou sistematizada, intencional e organizada, sempre que mediada pelo educador.

O ensino não é, portanto, um movimento de transmissão que termina quando a coisa que se transmite é recebida, mas “o começo do cultivo de uma mente de forma que o que foi semeado crescerá” (OAKESHOTT, 1968 – p. 160).

REFERÊNCIAS
FERREIRO, E. Reflexões sobre a alfabetização. 12ª ed. São Paulo, Cortez, 1988.
OAKESHOTT, M. Aprendizagem e ensino. IN:  PETERS, R.S. London, Routledge, 1968.
(Trad. Helena Meidani e José Sérgio Carvalho).
OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo     sócio-histórico. São Paulo, Scipione, 1993, p. 20 – 72.
REGO, T.C. Vygotsky – uma perspectiva histórico-cultural da educação. Rio de Janeiro, Vozes, 1999, p. 85.
RIOS, T. A. Ética e competência. 6ª ed. São Paulo, Cortez, 1997, p.67.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984, p.37 – 95.
_______________. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987, p.22 – 37.
VYGOTSKY, L.S.et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone/Edusp, 1988. p.103-17.

O EMPIRISMO - PEDAGOGIA DIRETIVA


Origem do termoO empirismo afirma que a razão, com seus princípios, seus procedimentos e suas idéias, é adquirida por nós através da experiência. Em grego, experiência se diz empeiria – donde, empirismo, conhecimento empírico, isto é, conhecimento adquirido por meio da experiência.

As Ideias básicasO empirismo é uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da verdade e das idéias racionais através da experiência. É descrito-caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
Os defensores do empirismo afirmam que a razão, a verdade e as ideias racionais são adquiridas por nós através da experiência. Antes da experiência, dizem eles, nossa razão é como uma “folha em branco”, onde nada foi gravado. Somos como uma cera sem forma e sem nada impresso nela, até que a experiência venha descrever na folha, gravar na tabula, dar forma à cera.
As idéias, trazidas pela experiência, isto é, pela sensação, pela percepção e pelo hábito, são levadas à memória e, de lá, a razão as apanha para formar os pensamentos.
A experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias e a razão irá associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos.

Os principais representantes
No decorrer da história da Filosofia muitos filósofos defenderam a tese empirista, mas os mais famosos e conhecidos são os filósofos ingleses dos séculos XVI ao XVIII, chamados, por isso, de empiristas ingleses: Francis Bacon, Jonh Locke, George Berkeley e David Hume.
John Locke é considerado o principal figurante do empirismo. Com sua corrente, denominada Tábula Rasa, afirmou que as pessoas desconhecem tudo, mas que através de tentativas e erros aprendem e conquistam experiência. Sua corrente também originou o behaviorismo que busca o entendimento dos processos mentais internos do homem.
Outros filósofos estão associados ao empirismo como: Aristóteles, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, George Berkeley, David Hume e Hohn Stuart Mill. Destes, Francis Bacon e Thomas Hobbes conseguiram influenciar uma geração de filósofos do Reino Unido com o empirismo no século XVII.

Os problemas do empirismoO empirismo se defronta com um problema insolúvel. Se as ciências são apenas hábitos psicológicos de associar e percepções e ideias por semelhança e diferença, bem como por contiguidade espacial ou sucessão temporal, então as ciências não possuem verdade alguma, não explicam realidade alguma, não alcançam os objetos e não possuem nenhuma objetividade.
Ora, o ideal racional da objetividade afirma que uma verdade é uma verdade porque corresponde à realidade das coisas e, portanto, não depende de nossos gostos, nossas opiniões, nossas preferências, nossos preconceitos, nossas fantasias, nossos costumes e hábitos. Em outras palavras, não é subjetiva, não depende de nossa vida pessoal e psicológica. Essa objetividade, porém, para o empirista, a ciência não pode oferecer nem garantir.

Modelo pedagógico: Pedagogia diretiva
As Ideias básicas
Esta concepção teórica parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio e não pelo sujeito. A ideia é que o ser humano não nasce inteligente mas é passivamente submetido às forças do meio que provocam suas reações. O desenvolvimento intelectual pode ser totalmente modelado.
Para melhor compreendermos a influência do modelo empirista/ comportamentista sobre a educação, deve-se observar as três conclusões fundamentais de John Watson:
- o determinismo ambiental: o ambiente é fator primordial do desenvolvimento;
- o objetivo da ciência psicológica é o comportamento e é diretamente observável. A aprendizagem também é um comportamento e deve ser entendida como resposta a estímulos, mediante um processo de condicionamento;
- o caráter mensurável dos fenômenos comportamentais: tudo o que existe pode ser medido.

Como acontece o conhecimento nesta concepçãoO conhecimento se origina e se evolui a partir das experiências que o indivíduo acumula. O conhecimento está no objeto a ser conhecido e se dá por transmissão. O conhecimento é de natureza extrema, se encontra fora do sujeito; a resposta do organismo ocorre através de um estímulo proveniente do meio. O conhecimento se dá somente pela percepção e é fruto da simples associação entre objetos.

Os principais teóricosOs americanos John B. Watson e B. F. Skinner, representantes do behaviorismo, são os mais conhecidos adeptos do empirismo. Skinner é responsável pela Teoria do Reforço – todo comportamento se manifesta através de um estímulo recebido.

As Implicações pedagógicasO sujeito tem um papel insignificante na elaboração e aquisição do conhecimento, compete a ele memorizar, sintetizar, resumir, dentro de um processo formal de educação. A escola tem a função de moldar o indivíduo, reforçando os comportamentos positivos; corrigindo, de modo que o aluno apresente comportamentos socialmente aceitos na sala de aula; o trabalho individual, a atenção, a concentração, o esforço e a disciplina funcionam como garantias para a aprendizagem.
O papel da escola e do ensino é super valorizado, o aluno nada sabe, precisa de alguém para transmitir as informações, e essas não precisam ter relação com a vida do aluno, nem com a realidade social – “conhecimento depositado no aluno” ou seja “educação bancária”.
Na escola não há lugar para troca de informações, questionamentos, comunicação entre os alunos; estes comportamentos são vistos como falta de respeito ao professor, bagunça e indisciplina.
O ensino é centrado no professor – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho.
A avaliação é objetiva, isto é, a medida de resultados observáveis antes da aprendizagem (avaliação diagnóstica), durante a aprendizagem (avaliação formativa), ou após o período de ensino-aprendizagem (avaliação somativa). A figura ilustra uma sala de aula empirita.



O Papel do professor
A responsabilidade do professor pode variar a depender de se priorizar ou não as experiências espontâneas, do sujeito em relação à organização artificial das situações de ensino. A imagem abaixo simboliza como seria/é o professor empirista.


As Críticas à Pedagogia diretiva
a) Aluno passivo

De fundamentação positivista, a teoria manteve a descrição mecanicista de homem, ser considerado passivo e cujo comportamento é totalmente explicável segundo um modelo simplista de causa e efeito, que faz lembrar o modelo científico da Física do século XIX, hoje abandonado até mesmo por esta ciência.

b) O ensino como transmissão de conhecimento

Durante vários anos as técnicas educacionais se resumiram na utilização de técnicas aversivas – o papel do professor consistia em fazer com que os alunos aprendessem e o papel dos alunos consistia em escapar das ameaças, aprendendo. Paulo Freire, importante pensador brasileiro, defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de informações do professor sobre o aluno. Para ele, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado; portanto, a docência não é possível sem a discência, pois as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

c) A prática docente sem reflexão

Segundo Paulo Freire (1996), a reflexão crítica sobre a prática é um momento fundamental na formação permanente dos professores. Apesar da busca de superação de práticas docentes tradicionais através da pedagogia pós-crítica ou relacional, a partir da década de 1990, o conservadorismo ainda é verificado no ensino brasileiro, principalmente na educação pública. Pode-se observar que as ações pedagógicas dos educadores de escolas públicas ainda caracterizam-se pelo tradicionalismo. Peculiaridades como o apego ao livro didático, ausência de problematização do conteúdo trabalhado, predomínio de aulas expositivas, falta de interação entre educador e educandos, currículo construído sem levar em conta a realidade dos educandos constituem algumas peculiaridades presentes nas salas de aula de escolas públicas.

Sugestões
1) Para ver:
a) Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, EUA, 1997): dirigido por Peter Weir, o filme traz Robin Williams no papel do carismático professor de inglês John Keating, que chega para lecionar num rígido colégio para rapazes, com métodos de ensino pouco convencionais que transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem seus próprios sonhos e a viverem suas vidas extraordinárias.

b) Escritores da liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007): dirigido por Richard LaGravenese, o filme é baseado na história real de Erin (interpretada por Hilary Swank), uma professora novata interessada em lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes resistentes ao ensino convencional; alguns estão ali cumprindo pena judicial, e todos são reféns das gangues avessas ao convívio pacífico com os diferentes. Como em outros filmes sobre turmas problemáticas, a professora Erin toma sua tarefa como um grande desafio: educar e civilizar aquela turma esquizofrênizada e estigmatizada como “os sem-futuro” pelos demais professores. Percebe que seu trabalho deve ir para além da sala de aula. Sendo assim, ela tenta inspirar seus alunos problemáticos a aprender algo mais sobre tolerância, valorizar a si mesmos, investir em seus sonhos e dar continuidade a seus estudos além da escola básica.

2) Para ouvir:

a) Estudo errado, de Gabriel o Pensador: Música que faz uma crítica bem humorada sobre o método “decoreba” de aprendizagem.

b) Another brick in the wall, do grupo Pink Floyd: Música que faz uma crítica radical ao método de ensino tradicional.

A PEDAGOGIA DIRETIVA NO ENSINO BRASILEIRO

No Brasil, durante o Período Republicano e sob a influência do positivismo, a reforma de Benjamim Constant no sistema de ensino é aprovada, gerando supressão do ensino religioso nas escolas públicas e o Estado passa a assumir a laicidade. A visão burguesa é disseminada pela escola, visando garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. Com a expansão cafeeira o modelo econômico passa de agrário-exportador para o modelo urbano-comercial- exportador.
A Pedagogia Diretiva ou Tradicional se articula no Brasil com os pareceres de Rui Barbosa e de Benjamim Constant. Nessa pedagogia a ênfase recai ao ensino humanista da cultura geral centrado no professor, a relação pedagógica é hierarquizada e verticalizada, “o método de ensino é calcado nos cinco passos formais de Herbart” (VEIGA, 2004). O Período conhecido como a Primeira República é marcado por um processo de descentralização do controle e de maior organização dos serviços, incluindo os educacionais.

Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. In. Educação e construção do conhecimento. [s/l], [s/d]. pp. 15-32.
CHAUÍ, Marilena. A razão: inata ou adquirida? In: Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. pp: 69-74.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MOREIRA, Marco Antônio. Ensino e aprendizagem: enfoques teóricos. 3 ed. [s/l]: Moraes, [s/d].
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1991.

sábado, 9 de julho de 2011

BRASILEIROS REAFIRMA SOLIDARIEDADE A CUBA

03 Julho 2011

Solidariedade a Cuba


Brasileiros reafirmam solidariedade à Revolução Cubana

Havana - Granma Internacional - No  último domingo, 26 de junho, em São Paulo, foi encerrada a 19ª Convenção de Solidariedade a Cuba. Os mais de 500 participantes reafirmaram seu respaldo à Revolução cubana e expressaram seu compromisso para incrementar as ações em favor da ilha caribenha.

A Carta de São Paulo, documento que é a declaração final do encontro realizado no Memorial da América Latina, uma das mais belas obras do famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, exalta o crescimento da solidariedade a Cuba neste imenso país sul-americano.

"Diante das ameaças dos Estados Unidos, os que apoiam a Revolução cubana devem estar cada vez mais organizados em sua defesa e para isso nossas campanhas de informação, manifestações nas ruas e pronunciamentos de parlamentares precisam avançar", indica o texto.

Os brasileiros amigos da ilha caribenha concordaram em intensificar as ações em favor da libertação dos cinco antiterroristas cubanos Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Fernando González, Ramón Labañino e Renê González, presos injustamente nos Estados Unidos há quase 13 anos.

CONTRA O BLOQUEIO

Igualmente, prosseguir na luta pelo fim do criminoso bloqueio econômico, financeiro e comercial que há mais de meio século Washington mantém contra Havana, no vão intento de render o povo cubano que, pelo contrário, resiste e mantém vivo seu espírito internacionalista.

Diante das mentiras e tergiversações da grande imprensa de direita do Brasil sobre a realidade cubana, os brasileiros amigos da ilha destacaram a necessidade de trabalhar para romper esse bloqueio midiático.

Para melhorar e aperfeiçoar esse trabalho no Brasil, os participantes na 19ª Convenção destacaram a importância de enviar uma delegação ao 6º Encontro Continental de Solidariedade a Cuba, que será realizado no México, de 6 a 9 de outubro deste ano.

Os convencionais brasileiros exaltaram a necessidade de acompanhar a postura do Brasil na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a ser criada nos dias 5 e 6 de julho próximo em Caracas, Venezuela, como parte do bicentenário da independência de várias nações da região.

Os delegados assumiram a tarefa de fortalecer a atividade de divulgação dos objetivos da atualização do modelo econômico cubano, discutidos amplamente pelo povo e aprovados no 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba e destinados a aperfeiçoar o socialismo na ilha caribenha.

Da Convenção de Solidariedade a Cuba, organizada pelo Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, participaram representantes de 16 dos 27 estados brasileiros, assim como uma delegação cubana, encabeçada pela presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, Kenia Serrano.

Magali Llort, deputada e mãe de Fernando González, um dos cinco cubanos lutadores contra o terrorismo; Zuleika Romay, presidente do Instituto Cubano do Livro; o coronel da reserva, José Ramón Herrera; a professora do Instituto de Relações Internacionais, Nidia María Alfonso e a jornalista Rosa Miriam Elizalde, coordenadora do site Cubadebate, também integravam a delegação cubana.

AGRADECIMENTO EMOCIONADO

O ato final da convenção foi marcado por muita emoção. Realizado no Memorial da Resistência, instalado no edifício onde funcionava o DOPS, na época da ditadura militar, militantes perseguidos pela ditadura que foram acolhidos em Cuba agradeceram à ilha caribenha pela solidariedade.

Os ex-presos políticos Ivan Seixas, Damaris Lucena, Elsa Lobos e Clara Sharf rememoraram a época de luta contra o regime militar e a firme colaboração da Revolução cubana com todos os companheiros perseguidos.

Seixas contou que nas reuniões dos grupos armados escutavam a Rádio Havana de Cuba, que era uma inspiração muito grande e uma alegria imensa, cada vez que escutavam notícias de que alguns dos companheiros de luta tinham conseguido chegar à ilha.

"Agradecemos por tudo o que fizeram por nós e nós faremos tudo o que pudermos por Cuba".

Damaris Lucena rememorou os horrores vividos na prisão durante a ditadura militar e recordou que foi uma das prisioneiras trocadas pelo cônsul japonês Nobuo Okushi e enviada ao México com seus filhos.

Ela contou que estando no México foi convidada a viajar a Cuba com seus familiares.

"Cuba é meu segundo país e os cubanos são meus irmãos", disse emocionada. "Tudo o que eu e meus filhos tenhamos que fazer por Cuba, faremos", declarou.

Também Elsa Lobo expressou sua eterna gratidão a Cuba pela formação que recebeu nesse país maravilhoso, e exaltou a colaboração recebida de diplomatas cubanos em diferentes países quando trabalhou em um organismo das Nações Unidas ou teve que exilar-se em Paris.

Com lágrimas nos olhos, Clara Sharf, companheira do líder comunista Carlos Marighella, assassinado pela ditadura militar, manifestou a estreita relação existente entre Marighella e a Revolução cubana, assim como seu trabalho na criação das primeiras associações de solidariedade a Cuba no Brasil.

Kenia Serrano, presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap) disse que este ato de agradecimento a seu país se converte em uma oportunidade para que Cuba agradeça aos brasileiros por sua combatividade, solidariedade e apoio ao direito à existência do processo revolucionário cubano.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

EU SOU PROUNI

Canal Vestibular

Eu sou ProUni

O sonho da estudante Juliana Fernandes, hoje com 26 anos, era ingressar em um curso superior. Depois que finalizou os estudos básicos, a goiana bem que tentou vários vestibulares na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas o preparo adquirido no Ensino Médio não foi o bastante para conseguir uma vaga na instituição pública.

Surgiu então a possibilidade de cursar Ciências da Computação em uma faculdade privada da capital por meio de um financiamento. Com as dívidas acumuladas, ela precisou desistir. E quando ela pensava que sua aspiração não fazia mais sentido, o Programa Universidade para Todos, o ProUni, caiu como uma luva para realizar seus anseios.

Juliana cursa hoje licenciatura em Matemática na Católica de Goiás (UCG) e tem futuro garantido como professora. Histórias como essa não são difíceis de encontrar, afinal, o ProUni já beneficiou mais de 430 mil estudantes desde 2005, quando foi criado. E para 2009, o programa reservou cerca de 156 mil bolsas.

“É um programa que, sem dúvida, veio pra revolucionar o ensino superior do Brasil, fazendo com que milhares de estudantes outrora marginalizados do ensino superior tivessem oportunidade de cursar o que desejar”, ressalta Abdiel Leite de Souza, estudante pernambucano de 21 anos que cursa Medicina em uma instituição de Juazeiro do Norte.

Antes de ingressar nesta graduação, Abdiel já havia conseguido bolsas pelo programa para Odontologia e Turismo, e mesmo assim não desistiu de sua principal meta. E ele conseguiu “sem ter que concorrer com aqueles que passaram a vida toda em colégios caríssimos se preparando para o vestibular”.

Regilâine da Silva, de 23 anos, não teve a mesma sorte. Com média insuficiente para conseguir uma bolsa integral para Psicologia, sua verdadeira paixão, ela não perdeu a oportunidade e iniciou o curso de Tecnologia em Gestão Ambiental.

Bem que a ex-aluna de uma escola estadual do município de Hidrolândia, interior de Goiás, tentou ingressar em uma instituição pública de ensino superior, mas de acordo com sua experiência, “o currículo escolar das escolas públicas muitas vezes não é cumprido como o planejado e isso afeta o desempenho daqueles que almejam fazer parte das universidades federais e estaduais”. Depois de dois anos e meio de graduação, Regilâine vê um futuro promissor pela frente, diante da gama de concursos e possibilidades que a área reserva. “Apesar de não ter tido outras experiências, gostei do aprendizado que me foi ofertado”, afirma.

Particulares?

É intrigante como no Brasil as situações são invertidas. Estudantes que cursaram o Ensino Médio em escolas particulares lotam as cadeiras das universidades públicas. Resta aos que tiveram acesso à educação fundamental pública lutar para pagar sua formação superior. Uma singularidade que faz a diferença na concorrência do mercado de trabalho, afinal, ainda existe o mito de que instituição pública tem melhor qualidade.

Não é o que considera a maioria dos graduandos beneficiados pelo ProUni. Anderson Rogério Pariz, de 23 anos, é um deles. Estudante de Design Industrial na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, ele considera que terá condições necessárias para concorrer por uma vaga de peso no mercado de trabalho, já que seu curso “ganhou cinco estrelas no Guia do Estudante da Editora Abril”, um dos principais parâmetros brasileiros de avaliação do ensino superior. Regilâine tem opinião semelhante. Para ela, o interesse do aluno é que faz com que esse se torne bom profissional, independente se é um sistema gratuito ou não.

Para quem tentou duas vezes o vestibular da Estadual de Maringá (UEM), Rodrigo Gaspar de Almeida, de 20 anos, afirma estar feliz com sua instituição de ensino. Ele é um dos estudantes do curso de Tecnologia em Gestão Estratégica de Organizações na Universidade Paranaense (Unipar). Segundo ele, “a instituição possui vários convênios com empresas e também há vários programas de estágios e primeiros empregos e também, em decorrência de o meu curso ser muito prático, todos os 90 alunos da minha graduação trabalham desde a 1º Série”.

Múltiplos são os depoimentos de estudantes que encontraram no ProUni uma saída para amenizar a desigualdade educacional existente no país. Ainda é insistente e urgente que a educação básica e pública no país passe por profundas mudanças, mas isso não é possível da noite para o dia. E enquanto isso não acontece, o programa pode ser uma saída para aqueles que não possuem condições necessárias para concorrer a uma vaga em universidades públicas e querem mudar sua realidade social.

“É óbvio que o ideal era que o ensino público fosse de qualidade e que não precisássemos de um programa para os "excluídos", mas já que não temos o ensino que gostaríamos, vemos no ProUni um veículo mais rápido para realizarmos nossos sonhos”, avalia o futuro médico Abdiel Leite. E os pontos positivos não se resumem a isto. “As universidades não perdem no faturamento. Há uma maior dedicação dos alunos durante o ensino médio para obterem notas mais altas no ENEM”, finaliza Rodrigo Gaspar.


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